{"id":19987,"date":"2012-11-01T09:27:50","date_gmt":"2012-11-01T12:27:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldocampus.usp.br\/?p=19987"},"modified":"2012-11-01T09:27:50","modified_gmt":"2012-11-01T12:27:50","slug":"avenida-hollywood-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2012\/11\/avenida-hollywood-2\/","title":{"rendered":"Avenida Hollywood"},"content":{"rendered":"<p><em>Recursos cinematogr\u00e1ficos e ousadia na dire\u00e7\u00e3o contribuiram para o \u00eaxito da novela das nove<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o foi s\u00f3 o enredo o respons\u00e1vel pelo sucesso de Avenida Brasil. \u00c9 o que afirmam especialistas em audiovisual e teledramaturgia. Os recursos e t\u00e9cnicas da cinematografia tamb\u00e9m ajudaram a criar este fen\u00f4meno do TV brasileira.<br \/>\nA equipe que produziu Avenida Brasil optou por recursos de qualidade cinematogr\u00e1fica, como ilumina\u00e7\u00e3o e profundidade de campo nas imagens, decorrentes das novidades tecnol\u00f3gicas e do uso de v\u00eddeo digital, que contribu\u00edram para a aproximar a imagem da televis\u00e3o \u00e0 do cinema.<\/p>\n<p>Para Esther Hamburguer, diretora do CINUSP e professora do Departamento de Cinema, R\u00e1dio e Televis\u00e3o da ECA, a dire\u00e7\u00e3o foi fundamental, pois orientou a cinematografia. Normalmente a televis\u00e3o, por ter sua produ\u00e7\u00e3o acelerada, fica restrita a movimentos de c\u00e2mera e edi\u00e7\u00e3o mais comportados.<\/p>\n<p>Em Avenida Brasil, entretanto, viu-se o uso de c\u00e2mera na m\u00e3o \u2013 mais artesanal, movimentanda, \u201candando\u201d atr\u00e1s dos atores. Nesse caso, contribu\u00edram a experi\u00eancia dos diretores Amora Mautner, Ricardo Waddington e Jos\u00e9 Luiz Villamarim e a vontade de fazer algo diferente. Isso mostra que a televis\u00e3o pode ser produzida com maior complexidade, e assim, conquistar um p\u00fablico mais diversificado.<\/p>\n<p><strong>Novos ritmos<\/strong><br \/>\nOutro elemento marcante de Avenida Brasil foi o ritmo acelerado, as reviravoltas e os ganchos t\u00edpicos do folhetim e dos seriados, explica Mariane Murakami. Maria Immacolata destaca que a novela n\u00e3o teve as famosas \u201cbarrigas\u201d, momentos em que quase nada acontece: \u201ca pessoa que perdia um ou dois cap\u00edtulos j\u00e1 n\u00e3o sabia muito bem o que havia acontecido\u201d.<\/p>\n<p>Esther comenta que esse ritmo acelerado \u00e9 um estrat\u00e9gia a qual as novelas v\u00eam aderindo para conquistar o p\u00fablico, pois sua audi\u00eancia est\u00e1 em queda devido ao grande leque de op\u00e7\u00f5es oferecidas hoje. Sua estrutura sempre deve criar expectativa para o pr\u00f3ximo cap\u00edtulo, atraindo os espectadores. Comparada a seriados \u2013 que costumam ter sempre um suspense a ser solucionado no epis\u00f3dio seguinte \u2013 Avenida Brasil foi ainda mais din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Quanto ao final da novela, Esther acredita que tenha sido muito corrido. \u201cAlgumas situa\u00e7\u00f5es poderiam ser mais desenvolvidas, melhor explicadas, mas isso \u00e9 normal diante da elasticidade de tempo das novelas em geral e desse aceleramento criado desde os primeiros cap\u00edtulos da novela\u201d.<\/p>\n<p><strong>Divino melodrama<\/strong><br \/>\nOutra qualidade respons\u00e1vel pelo sucesso da produ\u00e7\u00e3o foi o texto, em especial os di\u00e1logos, bastante elogiados pelos entrevistados. Para Esther \u201cos personagens tiveram espontaneidade e, ao mesmo tempo, usavam linguagem e express\u00f5es mais complexas.\u201d<\/p>\n<p>Os atores, \u00e9 claro, tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis pelo sucesso de seus personagens, pois souberam incorpor\u00e1-los com profundidade. Maria Immacolata acredita que \u201cat\u00e9 os personagens secund\u00e1rios foram envolvidos na hist\u00f3ria, n\u00e3o estavam ali apenas como figurantes, tinham uma complexidade tamb\u00e9m\u201d. Segundo Eug\u00eanio Bucci, \u201cos pr\u00f3prios atores pareciam buscar express\u00f5es, trejeitos nas fontes, no tipo de pessoas que queriam copiar\u201d. Esther corrobora esta an\u00e1lise: \u201cos personagens foram se construindo de maneira t\u00e3o s\u00f3lida, que provavelmente os atores ficaram livres para improvisar.\u201d<\/p>\n<p>Bucci caracteriza a op\u00e7\u00e3o est\u00e9tica feita pela novela como \u201crealismo de madame\u201d. Os cen\u00e1rios e figurinos apresentavam um certo perfeccionismo inveross\u00edmil, com roupas que pareciam ter acabado de sair do arm\u00e1rio e cortes de cabelos e maquiagem sempre bem feitos.<\/p>\n<p>As interpreta\u00e7\u00f5es \u201ccarregadas\u201d, no entanto, n\u00e3o podem ser descritas como \u201crealistas\u201d. \u201cAvenida Brasil levou o melodrama ao extremo, com todos os seus excessos. A atua\u00e7\u00e3o dos atores beirou o \u2018estridente\u2019\u201d conclui, Esther.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Recursos cinematogr\u00e1ficos e ousadia na dire\u00e7\u00e3o contribuiram para o \u00eaxito da novela das nove N\u00e3o foi s\u00f3 o enredo o respons\u00e1vel pelo sucesso \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2012\/11\/avenida-hollywood-2\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":259,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1739,245],"tags":[1594],"class_list":["post-19987","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ed402","category-em_pauta","tag-novela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/259"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19987"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20046,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19987\/revisions\/20046"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}