{"id":20393,"date":"2012-11-30T19:13:00","date_gmt":"2012-11-30T22:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldocampus.usp.br\/?p=20393"},"modified":"2012-11-30T19:13:00","modified_gmt":"2012-11-30T22:13:00","slug":"o-outro-lado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2012\/11\/o-outro-lado\/","title":{"rendered":"O outro lado"},"content":{"rendered":"<p>O Jornal do Campus \u00e9 um jornal de verdades. Como um Pravda do Butant\u00e3, a cada 15 dias ele proclama suas teses a respeito da vida na Cidade Universit\u00e1ria, sem muito espa\u00e7o para o contradit\u00f3rio. Nas sete edi\u00e7\u00f5es que li, como ombudsman, a Reitoria nunca deu uma entrevista, embora tenha sido alvo de 11 entre 10 reportagens do jornal no per\u00edodo. Mas quanta verdade h\u00e1 nas verdades que o JC proclama?<br \/>\n\u201cN\u00e3o quis se pronunciar, n\u00e3o deu resposta, n\u00e3o foi localizada\u201d s\u00e3o as justificativas mais comuns para se referir \u00e0 aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es que possam constrastar as teses que o jornal apresenta. Mas ser\u00e1 que o trabalho de reportagem se resume a enviar uma carta ou um email, ou dar um telefonema para a pessoa que gostar\u00edamos de ouvir? Nenhum rep\u00f3rter do jornal \u00e9 capaz de fazer tocaia na sala do reitor, com um gravador ou filmadora, no estacionamento, na casa, no supermercado do bairro dele, nada? Porque se a reportagem se resumir a pedir entrevista e pedir aspas, por fax e por e-mail, n\u00e3o precisamos de rep\u00f3rteres &#8211; uma secret\u00e1ria mediana resolve.<br \/>\nH\u00e1 uma mistura de pregui\u00e7a e arrog\u00e2ncia em dizer que \u201co jornal procurou e o reitor n\u00e3o respondeu\u201d. O que seria da boa reportagem e do jornalismo investigativo se tudo fosse assim &#8211; \u201cele n\u00e3o quis falar\u201d? O JC, por exemplo, nunca usou a Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o para requerer qualquer coisa das autoridades universit\u00e1rias &#8211; pelo menos n\u00e3o durante a minha \u201cgest\u00e3o\u201d como ombudsman.<br \/>\nOuvir o outro lado n\u00e3o serve s\u00f3 para constar. Como disse o velho Abujamra, \u201ctemos de venerar a d\u00favida\u201d. N\u00e3o se esque\u00e7am disso. Essa \u00e9 a grande coisa para n\u00f3s, jornalistas: venerar a d\u00favida.<br \/>\nDeixem de lado as certezas enquanto estiverem fazendo jornalismo de verdade. Abracem o compromisso com a d\u00favida &#8211; a menos que queiram fazer da profiss\u00e3o um instrumento de milit\u00e2ncia sect\u00e1ria de f\u00f4lego curtinho.<br \/>\nSe a pauta, a apura\u00e7\u00e3o, a reportagem toda estiver bem feita, a voz contradit\u00f3ria servir\u00e1 para real\u00e7ar ainda mais a pertin\u00eancia da mat\u00e9ria. E se der o contr\u00e1rio, tudo bem. Afinal, nosso compromisso \u00e9 com os fatos, n\u00e3o com as fontes, nem com as teses.<br \/>\nEssa foi minha \u00faltima coluna como ombudsman. A honra da lida supera em muito meu m\u00e9rito. Obrigado.<\/p>\n<h4><a title=\"Jo\u00e3o Paulo Charleaux\" href=\"http:\/\/charleaux.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Jo\u00e3o Paulo Charleaux<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e coordenador de comunica\u00e7\u00e3o da Conectas Direitos Humanos e do curso de jornalismo em situa\u00e7\u00f5es de conflito armado e outras situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Escreve sobre cultura e direito internacional em ve\u00edculos como\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>\u00a0e\u00a0<em>\u00daltima Inst\u00e2ncia<\/em>, al\u00e9m de colaborar com a r\u00e1dio Fran\u00e7a Internacional, a revista\u00a0<em>Carta Capital<\/em>, o jornal\u00a0<em>Le Monde Diplomatique<\/em>, a r\u00e1dio Popular de Mil\u00e3o, a r\u00e1dio Interworld (Panos London), a R\u00e1dio Netherland e a Ag\u00eancia Poonal de Berlim.<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Jornal do Campus \u00e9 um jornal de verdades. Como um Pravda do Butant\u00e3, a cada 15 dias ele proclama suas teses a \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2012\/11\/o-outro-lado\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":281,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1761,5,3151,14,3147],"tags":[3207],"class_list":["post-20393","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ed404","category-edicoes","category-editorias","category-ombudsman","category-opiniao","tag-ombudsman"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/281"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20393"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20395,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20393\/revisions\/20395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}