{"id":25244,"date":"2014-10-01T05:00:20","date_gmt":"2014-10-01T08:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldocampus.usp.br\/?p=25244"},"modified":"2014-09-30T21:10:16","modified_gmt":"2014-10-01T00:10:16","slug":"25244","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2014\/10\/25244\/","title":{"rendered":"Trag\u00e9dia faz questionar seguran\u00e7a na raia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25245\" aria-describedby=\"caption-attachment-25245\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Infogr\u00e1fico-Raia-Victoria-Salemi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-25245\" title=\"(Infogr\u00e1fico: Victoria Salemi)\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Infogr\u00e1fico-Raia-Victoria-Salemi-480x305.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Infogr\u00e1fico-Raia-Victoria-Salemi-480x305.jpg 480w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Infogr\u00e1fico-Raia-Victoria-Salemi-1024x652.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25245\" class=\"wp-caption-text\">(Infogr\u00e1fico: Victoria Salemi)<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">O ainda n\u00e3o esclarecido caso do garoto Victor Hugo Santos foi a \u00faltima ocorr\u00eancia envolvendo morte na raia ol\u00edmpica da USP. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que ela se torna cen\u00e1rio de um \u00f3bito, e o fato de um corpo ser encontrado na \u00e1gua mostra a exist\u00eancia de uma falha de seguran\u00e7a num local com m\u00e9dia de frequentadores di\u00e1rios beirando 400 pessoas e cuja fama \u00e9 a de abrigar treinos de remo em alto n\u00edvel de equipes como Pinheiros e Corinthians.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A raia ol\u00edmpica possui cerca de 2.250 metros de comprimento, profundidade entre 3 e 5 metros e foi projetada como um tanque fechado sem nenhum tipo de liga\u00e7\u00e3o externa com c\u00f3rregos ou correntes d\u2019\u00e1gua. Ela \u00e9 totalmente circundada por 4.600 metros de grades. Apesar disso, h\u00e1 alguns pontos com fendas e outras brechas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo funcion\u00e1rios do Centro de Pr\u00e1ticas Esportivas (CEPE), a raia possui quatro port\u00f5es de acesso, e apenas um deles fica aberto, com controle, para a entrada do p\u00fablico. Dois seguran\u00e7as terceirizados s\u00e3o respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a de toda sua extens\u00e3o. O suposto hor\u00e1rio de desaparecimento de Victor foi pr\u00f3ximo da troca do turno da noite, que inicia \u00e0s 22h e termina \u00e0s 6h. N\u00e3o h\u00e1 c\u00e2meras de seguran\u00e7a que possam ter gravado imagens relacionadas ao caso. Alguns tamb\u00e9m confirmaram casos de invas\u00e3o de pessoas na raia e no CEPE, entretanto, sendo mais comuns ocorr\u00eancias neste \u00faltimo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>SEGURAN\u00c7A ESPORTIVA<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A aus\u00eancia de salva-vidas na raia \u00e9 questionada por muitos frequentadores do local como um problema de seguran\u00e7a na \u00e1rea esportiva. Por\u00e9m, segundo o professor Jos\u00e9 Carlos Simon Farah, diretor t\u00e9cnico do CEPE na \u00e1rea de remo, essa n\u00e3o seria uma medida necess\u00e1ria: \u201cO equipamento de remo \u00e9 controlado apenas para usu\u00e1rios que possuem uma credencial especial ap\u00f3s passarem por um teste de nata\u00e7\u00e3o. Durante as aulas fornecidas pela USP, h\u00e1 sempre um instrutor por perto orientando\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Alguns usu\u00e1rios contestam a veracidade sobre a obrigatoriedade do exame de nata\u00e7\u00e3o. Segundo o estudante Luciano Eiken, frequentador da raia h\u00e1 mais de tr\u00eas anos, foi apenas no come\u00e7o de 2014 que come\u00e7ou a existir um controle mais r\u00edgido sobre quem frequenta o local: \u201cAntes eles s\u00f3 perguntavam e iam na sua f\u00e9. Ent\u00e3o, se voc\u00ea mentia ou se por acaso achava que sabia, mas n\u00e3o sabia, n\u00e3o haviam provas. At\u00e9 o ano passado eu tinha uma amiga que n\u00e3o sabia nadar, mas gostava da canoagem. Mudou para o remo e eu tive que avisar os professores de que ela n\u00e3o sabia nadar nada\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo o Capit\u00e3o Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros, em locais de acesso restrito ao p\u00fablico em geral n\u00e3o existem regras de obrigatoriedade para a presen\u00e7a de salva-vidas. Os bombeiros tamb\u00e9m n\u00e3o realizam fiscaliza\u00e7\u00e3o, cabendo o zelo pelos usu\u00e1rios aos administradores do local: \u201cRecomendamos apenas a presen\u00e7a de um salva-vidas em per\u00edodo de eventos, e avisos indicando ao p\u00fablico o risco de afogamento\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>HIST\u00d3RICO<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A morte de Victor Hugo \u00e9 o terceiro caso documentado de morte na raia ol\u00edmpica da USP. Em 1997, um garoto de quinze anos, morador da comunidade S\u00e3o Remo (ao lado do Port\u00e3o 3 do Campus), foi \u00e0 raia com um grupo de amigos para nadar. A atividade era proibida no local. Os garotos foram expulsos e, segundo eles, agredidos pelos guardas locais. O corpo de Daniel Pereira de Ara\u00fajo foi encontrado boiando pr\u00f3ximo a uma bomba de suc\u00e7\u00e3o. A universidade soltou uma nota oficial alegando que a \u00e1rea deveria ser destinada apenas para atletas e que os seguran\u00e7as alertaram o menino do risco de afogamento. O caso causou revolta na comunidade S\u00e3o Remo e gerou uma s\u00e9rie de protestos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No come\u00e7o deste ano, o empres\u00e1rio Everaldo Miranda se afogou na raia enquanto praticava Stand Up Paddle, uma modalidade de remo em cima de uma prancha de surf. Ventava forte no dia, e a per\u00edcia cogitou que Everaldo tivesse passado mal instantes antes de cair na \u00e1gua. O atleta n\u00e3o usava colete salva-vidas, pois este n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio para usu\u00e1rios da raia, principalmente porque atrapalha a pr\u00e1tica do remo e da canoagem, segundo atletas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Victor desapareceu por volta das 5h do dia 20 durante a Festa de 111 anos do Gr\u00eamio Polit\u00e9cnico, no Vel\u00f3dromo. O corpo foi encontrado boiando na raia tr\u00eas dias depois. Algumas pessoas presentes na festa relataram via Facebook (atrav\u00e9s do evento da festa) terem visto uma pessoa muito parecida com Victor sendo arrastada de forma violenta por seguran\u00e7as da empresa GE (terceirizada para cuidar do evento).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo o presidente do Gr\u00eamio Polit\u00e9cnico, Andr\u00e9 Simmonds, n\u00e3o havia nenhum tipo de relato de confus\u00e3o no relat\u00f3rio p\u00f3s-festa entregue pela empresa, e, at\u00e9 o momento, tudo se configura como boato. Ainda segundo Simmonds, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Gr\u00eamio contrata a GE para a seguran\u00e7a de uma festa, e n\u00e3o havia ocorrido nenhum tipo de problema com a empresa at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">N\u00e3o foi encontrado pela per\u00edcia nenhum tipo de marca aparente de afogamento no corpo de Victor Hugo. Apenas alguns machucados no rosto foram constatados, e as hip\u00f3teses s\u00e3o de agress\u00e3o ou queda. Ainda se cogita que o corpo tenha sido jogado na raia tr\u00eas dias ap\u00f3s a morte e mais informa\u00e7\u00f5es devem surgir ap\u00f3s novos laudos da pol\u00edcia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">por <strong>GABRIEL LELLIS<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ainda n\u00e3o esclarecido caso do garoto Victor Hugo Santos foi a \u00faltima ocorr\u00eancia envolvendo morte na raia ol\u00edmpica da USP. 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