{"id":25322,"date":"2014-10-15T05:00:44","date_gmt":"2014-10-15T08:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldocampus.usp.br\/?p=25322"},"modified":"2014-10-14T21:05:35","modified_gmt":"2014-10-15T00:05:35","slug":"25322","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2014\/10\/25322\/","title":{"rendered":"&#8220;Homofobia \u00e9 um dialeto do machismo&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_25331\" aria-describedby=\"caption-attachment-25331\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/entrev2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-25331\" title=\"Para vice coordenador do USP Diversidade, ambiente universit\u00e1rio reflete preconceito da sociedade. \" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/entrev2-202x360.jpg\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/entrev2-202x360.jpg 202w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/entrev2-576x1024.jpg 576w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/entrev2.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25331\" class=\"wp-caption-text\">Para vice coordenador do USP Diversidade, ambiente universit\u00e1rio reflete preconceito da sociedade. (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">Formado em ci\u00eancias sociais pela USP, o professor Ferdinando Martins luta pelos direitos humanos desde a gradua\u00e7\u00e3o. &#8220;Minha milit\u00e2ncia \u00e9 anterior \u00e0 minha entrada como professor na Universidade&#8221;, diz ele. Hoje professor doutor da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP (ECA-USP) de disciplinas ligadas \u00e0 cultura e \u00e0 arte, ele, al\u00e9m de lecionar, \u00e9 diretor do Teatro da USP (TUSP) e vice-coordenador do programa USP Diversidade. &#8220;Comecei como coordenador, mas virei diretor do TUSP e n\u00e3o ia conseguir dar conta. Por\u00e9m continuo como vice para dar prosseguimento a alguns projetos&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em funcionamento desde agosto de 2012, o USP Diversidade \u00e9 uma iniciativa da Pr\u00f3-Reitoria de Cultura e Extens\u00e3o Universit\u00e1ria (PRCEU) voltada \u00e0 quest\u00e3o da diversidade, n\u00e3o s\u00f3 sexual, mas abrangendo tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es de combate ao racismo, ao sexismo e \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres. Em entrevista ao Jornal do Campus, o professor Ferdinando Martins falou um pouco sobre a quest\u00e3o do preconceito e dos direitos humanos na USP e na sociedade brasileira em geral.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Jornal do Campus:<\/strong> Desde quando o senhor atua em prol dos direitos humanos? Como come\u00e7ou na milit\u00e2ncia? Por que decidiu defender a causa?<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Ferdinando Martins:<\/strong> Come\u00e7ou quando eu estava na gradua\u00e7\u00e3o, no final dos anos 80, in\u00edcio dos anos 90. A USP tinha um grupo de direitos humanos chamado Caehusp (Centro Acad\u00eamico de Estudos Homoer\u00f3ticos da USP), que surgiu na Letras inicialmente, isso entre 89 e 90. Esse grupo durou aproximadamente dez anos. Depois disso houve outros, mas a minha milit\u00e2ncia \u00e9 anterior \u00e0 entrada como professor.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Sempre achei injusto ser inferiorizado por algo que n\u00e3o depende da escolha ou da vontade pr\u00f3pria. Ningu\u00e9m escolhe ser gay ou negro ou mulher, por que ent\u00e3o ser tratado diferente? Acho que toda milit\u00e2ncia parte de quest\u00f5es particulares, subjetivas, da hist\u00f3ria de cada um, mas com o desejo de que a justi\u00e7a seja feita para todos, que os direitos sejam garantidos e que n\u00e3o haja discrimina\u00e7\u00e3o por nada que esteja al\u00e9m da nossa vontade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>JC:<\/strong> Como se tornou vice-coordenador do USP Diversidade? Desde quando est\u00e1 no programa?<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>FM:<\/strong> Na verdade, j\u00e1 fui coordenador. Ele surgiu no primeiro ano da gest\u00e3o da professora Maria Arminda do Nascimento Arruda. Havia um programa que tratava de homossexualidade na USP, mas ele ainda n\u00e3o tinha realizado a\u00e7\u00f5es. Quando a professora Maria Arminda, que \u00e9 a atual Pr\u00f3-Reitora de Cultura e Extens\u00e3o Universit\u00e1ria (PRCEU) da USP, assumiu, em 2010, ela viu que faltava um programa que focasse mais na quest\u00e3o da diversidade, n\u00e3o s\u00f3 a diversidade sexual, mas tamb\u00e9m que abrangesse a\u00e7\u00f5es de combate ao racismo, ao sexismo e \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres e instituiu um grupo de trabalho. Para ele, foram convidados v\u00e1rios professores que atuavam na \u00e1rea, com hist\u00f3rico de milit\u00e2ncia, e fui convidado a ser o vice-coordenador desse grupo. Elaboramos a proposta de cria\u00e7\u00e3o do programa USP Diversidade e ele foi criado em 2011 e passou a exercer suas atividades no ano seguinte. Oficialmente, come\u00e7ou a funcionar no dia 22 de agosto de 2012.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Como eu era do grupo de trabalho inicial, me tornei o primeiro coordenador do programa. S\u00f3 que eu acumulava dois cargos, porque eu era tamb\u00e9m vice-diretor do Teatro da USP (TUSP). No in\u00edcio deste ano, me tornei diretor do Teatro da USP e n\u00e3o dava pra conciliar os dois cargos, seria muito trabalho para uma pessoa s\u00f3. Ent\u00e3o a coordenadora se tornou a professora Helo\u00edsa Buarque de Almeida, da faculdade de antropologia da FFLCH, e eu, para dar continuidade a alguns projetos j\u00e1 existentes, me tornei o vice dela.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>JC:<\/strong> Quais os trabalhos do programa? Qual a sua import\u00e2ncia?<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>FM:<\/strong> O programa USP Diversidade faz parte do N\u00facleo dos Direitos da Pr\u00f3-Reitoria de Cultura e Extens\u00e3o Universit\u00e1ria (PRCEU). Ele faz a\u00e7\u00f5es voltadas, inicialmente, para a quest\u00e3o da diversidade sexual e do sexismo, da viol\u00eancia contra a mulher, dos casos de estupro que h\u00e1 na USP e tudo mais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ele faz um atendimento dos casos que merecem interven\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, os recentes casos de estupro na Faculdade de Medicina (FMUSP). Esses casos na Medicina s\u00e3o reais e isso \u00e9 um grande problema para n\u00f3s, porque h\u00e1 uma tentativa de n\u00e3o se falar sobre o assunto. No entanto, ele \u00e9 um problema na Universidade. O n\u00famero de casos de estupro dentro da USP \u00e9 elevado, a gente n\u00e3o pode tapar o sol com a peneira. O que acontece, geralmente, \u00e9 que, quando ocorrem esses casos, eles acabam sendo ocultos dentro da pr\u00f3pria Universidade. Existe uma tentativa de acoberta\u00e1-los, sobretudo quando se est\u00e1 lidando com cursos mais tradicionais, como medicina e engenharia. Tamb\u00e9m h\u00e1 a quest\u00e3o, n\u00e3o de estupro, mas de viol\u00eancia contra a mulher na Poli e nas Ci\u00eancias Sociais tamb\u00e9m j\u00e1 houve casos assim. Ent\u00e3o existe sempre uma tentativa de acobertar.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A gente tem uma cultura machista que sempre vai considerar a viol\u00eancia contra a mulher como um problema menor, que foi a mulher que provocou, ou, ainda, que, se voc\u00ea conhecia o seu colega de sala que te estuprou, n\u00e3o foi um estupro, foi consensual. J\u00e1 ouvi isso: &#8220;n\u00e3o, mas ela conhecia, ent\u00e3o, se ela conhecia, foi consensual&#8221;. N\u00e3o, o fato de voc\u00ea conhecer a pessoa n\u00e3o muda nada. Pode ser seu namorado, voc\u00ea pode conhecer muito bem a pessoa, mas estupro \u00e9 estupro. Sem consentimento \u00e9 viol\u00eancia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Geralmente, esses casos n\u00e3o v\u00eam diretamente pra n\u00f3s. Eles v\u00e3o parar nas comiss\u00f5es dentro da pr\u00f3pria unidade, n\u00e3o \u00e9 algo que venha diretamente pro Diversidade. N\u00f3s somos chamados em alguns casos para caracterizar que, de fato, houve uma agress\u00e3o e que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ocultar.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A gente tem esses casos mais graves, mas tem outros casos que s\u00e3o, digamos, menos agressivos. Por exemplo, em Piracicaba, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), uma aluna colocou silicone, como \u00e9 direito dela. Ela come\u00e7ou a ser chamada de &#8220;x peito&#8221; e sofreu tanta persegui\u00e7\u00e3o que abandonou o curso. A pessoa entra num curso que \u00e9 bastante concorrido e \u00e9 constrangida de tal maneira que abandona o curso por conta de uma decis\u00e3o que foi pessoal dela. Cada um faz do seu corpo o que bem entender.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Voc\u00ea tem casos no Conjunto Residencial da USP (Crusp) do interior de fichas da assist\u00eancia social solicitando a moradia em que homens escrevem que n\u00e3o querem dividir o quarto com gays. Com mulheres, \u00e9 muito comum encontrar fichas dizendo &#8220;n\u00e3o quero dividir com gorda&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Num primeiro momento, tentamos dar conta desses casos, s\u00f3 que sempre esbarramos na quest\u00e3o do &#8220;ah, isso n\u00e3o existe&#8221;. Sempre havia uma desculpa de que o que est\u00e1vamos fazendo n\u00e3o era verdade, que n\u00e3o era bem assim. Por conta disso, a professora Helo\u00edsa Buarque de Almeida, coordenadora do USP DIversidade, junto com \u00a0o professor Gustavo Venturi, da Sociologia, est\u00e1 montando uma pesquisa que vai ser a primeira a tratar de homofobia, de viol\u00eancia contra a mulher e de racismo na USP. Est\u00e1 sendo uma pesquisa bastante grande porque queremos ter dados para mostrar que, de fato, \u00e9 um problema. Inicialmente, a pesquisa vai servir para dentro da pr\u00f3pria Universidade, para se ter a dimens\u00e3o dessa forma de viol\u00eancia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Fora isso, tentamos uma articula\u00e7\u00e3o com os diferentes grupos de milit\u00e2ncia dentro da USP. Temos tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es culturais, tivemos uma exposi\u00e7\u00e3o de fotografia ano passado que promoveu uma conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a homofobia. Fizemos a I Jornada de Diversidade Sexual da USP, de S\u00e3o Paulo e do interior. Realizamos ciclos de debate para mostrar qual \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica da USP sobre temas relacionados \u00e0 diversidade sexual.<\/p>\n<p><strong>JC:<\/strong> O senso comum adora dizer que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds da diversidade, mas, na pr\u00e1tica, sabe-se que n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece. Para o senhor, por que ainda existe tanto preconceito?<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>FM:<\/strong> O que acontece \u00e9 que, na verdade, voc\u00ea tem bolhas diferentes dentro da sociedade brasileira. A gente v\u00ea isso dentro da pr\u00f3pria USP. Por exemplo, a quest\u00e3o da homossexualidade \u00e9 muito tranquila na ECA, mas atravessa a rua e vai pra FEA pra ver se ela \u00e9 t\u00e3o tranquila assim. N\u00e3o \u00e9. Caminha mais um pouco e vai pra Poli, ela se torna um problema.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A USP \u00e9 um reflexo do que acontece na sociedade brasileira fora dos seus muros. Voc\u00ea vai ter grupos em que a homossexualidade vai ser uma quest\u00e3o tranquila de ser tratada e outros bastante resistentes. Infelizmente, estamos vivendo uma onda conservadora que tem o avan\u00e7o de posi\u00e7\u00f5es bastante contradit\u00f3rias. \u00c9 o caso dos evang\u00e9licos que falam que v\u00e3o defender a fam\u00edlia. Ok, v\u00e3o defender a fam\u00edlia, mas isso n\u00e3o quer dizer excluir o membro da fam\u00edlia que \u00e9 homossexual, porque os homossexuais tamb\u00e9m v\u00eam de fam\u00edlias e constituem fam\u00edlias.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>JC:<\/strong> Como o senhor enxerga o fato de que os tr\u00eas candidatos \u00e0 presid\u00eancia com maior n\u00famero de votos n\u00e3o trataram dos direitos da comunidade LGBT em suas campanhas e nos debates?<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>FM:<\/strong> A Marina \u00e9 um caso \u00e0 parte, porque ela tem um comprometimento com os evang\u00e9licos e isso \u00e9 muito complicado, porque eles declaradamente s\u00e3o homof\u00f3bicos. A maior parte dos evang\u00e9licos \u00a0\u00e9 homof\u00f3bica. Uma homofobia que se disfar\u00e7a de liberdade de express\u00e3o. Ou seja, eles t\u00eam um discurso de \u00f3dio que \u00e9 enxergado como um direito, uma vez que, no Brasil, a liberdade de express\u00e3o \u00e9 encarada como um direito. Ent\u00e3o o caso da Marina n\u00f3s temos que deixar de lado, porque ela se alinha com um grupo que \u00e9 contra os direitos da comunidade LGBT e ela mesma \u00e9 contra. Quando ela fala do contrato civil, ela est\u00e1 mais atrasada do que a sociedade brasileira, porque o judici\u00e1rio j\u00e1 reconhece o casamento entre pessoas do mesmo sexo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No caso do PT e do PSDB, da Dilma e do A\u00e9cio, os dois t\u00eam um hist\u00f3rico e uma posi\u00e7\u00e3o muito parecidos, porque ambos promoveram avan\u00e7os significativos para o segmento LGBT, mas, ao mesmo tempo, tanto o PT quanto o PSDB, em alguns momentos, deram pra tr\u00e1s. Porque ainda \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00eamica e por isso, em alguns momentos de comprometimento pol\u00edtico, ela acaba sendo utilizado como instrumento de negocia\u00e7\u00e3o, sobretudo quando \u00e9 uma negocia\u00e7\u00e3o com os partidos predominantemente evang\u00e9licos. N\u00e3o d\u00e1 pra falar que o PT defende e o PSDB n\u00e3o ou vice versa, porque os dois t\u00eam avan\u00e7os.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O PT, de um lado, fez , na gest\u00e3o do Lula, a I Confer\u00eancia Nacional LGBT, na da Dilma fez a II, foi criado, na gest\u00e3o da Dilma, o disque den\u00fancia \u00e0 homofobia, foi criada uma coordena\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a diversidade sexual dentro da secretaria especial de direitos humanos, foi dada uma \u00eanfase na aplica\u00e7\u00e3o do que foi decidido nas confer\u00eancias, no programa Brasil Sem Homofobia. Voc\u00ea v\u00ea isso e fala que o PT est\u00e1 bem avan\u00e7ado, mas, como eu disse, \u00a0de vez em quando eles d\u00e3o pra tr\u00e1s. \u00c9 o caso, por exemplo, \u00a0de quando a Dilma vetou o chamado \u201ckit gay\u201d , que era um programa de combate \u00e0 homofobia nas escolas, em troca do apoio dos evang\u00e9licos na CPI do Palocci. Ele estava sendo acusado de corrup\u00e7\u00e3o, era um dos principais nomes do governo e, para que n\u00e3o fosse instalada um CPI, ela trocou o veto desse programa pelo apoio dos evang\u00e9licos. D\u00e1 pra dizer que a Dilma \u00e9 homof\u00f3bica? N\u00e3o d\u00e1. Tem umas pisadas de bola, mas, no \u00faltimo pronunciamento dela, ela foi completamente a favor da \u00a0diversidade sexual, publicamente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O mesmo acontece com o PSDB. Se pensarmos no estado de S\u00e3o Paulo, os maiores avan\u00e7os foram nas gest\u00f5es do PSDB. O Alckmin foi o primeiro governador do Brasil a assinar uma lei, que \u00e9 a 10.948, de 2001, que pune a homofobia no estado de S\u00e3o Paulo. Quando o Serra foi governador, ele criou um programa in\u00e9dito, que \u00e9 o Centro de Refer\u00eancia para Travestis e Transexuais, ou seja, v\u00e1rias quest\u00f5es de sa\u00fade s\u00e3o muito espec\u00edficas de travestis e transexuais, como, por exemplo, a hormoniza\u00e7\u00e3o, quando \u00e9 poss\u00edvel come\u00e7ar a tomar horm\u00f4nios com supervis\u00e3o m\u00e9dica. Foi o Serra que criou esse programa, assim como, quando o Serra estava na prefeitura, ele criou a CADS, que \u00e9 a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual. Depois, como governador, ele criou a mesma coordenadoria no \u00e2mbito estadual. Ou seja, o PSDB tem a\u00e7\u00f5es bastante significativas de combate \u00e0 homofobia. D\u00e1 pra dizer que eles s\u00e3o completamente comprometidos? N\u00e3o d\u00e1.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em rela\u00e7\u00e3o aos direitos LGBT, n\u00f3s temos que pensar nisso. Os dois partidos est\u00e3o no mesmo p\u00e9, com v\u00e1rios avan\u00e7os significativos e alguns momentos de retrocesso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>JC:<\/strong> Em maio deste ano houve um caso de racismo na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Em casos como este, o USP Diversidade interv\u00e9m de alguma forma?<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>FM:<\/strong> Ainda n\u00e3o, mas queremos intervir. Dentro da USP tem o N\u00facleo de Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (Neinb &#8211; USP), que \u00e9 um grupo de pesquisa sobre quest\u00f5es relacionadas ao racismo, mas a ideia \u00e9 que o USP Diversidade, aos poucos, v\u00e1 ampliando a sua atua\u00e7\u00e3o. O que a gente fez em rela\u00e7\u00e3o a racismo ainda foi muito pouco. Atualmente, o foco \u00e9 mais na diversidade sexual e na quest\u00e3o de g\u00eanero, da viol\u00eancia contra a mulher e estupro, que s\u00e3o quest\u00f5es que andam juntas. Quem respeita a mulher respeita o gay, costuma ser assim. A homofobia \u00e9 um dialeto do machismo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>JC:<\/strong> Quais o senhor acha que foram suas conquistas em prol da luta pelos direitos humanos at\u00e9 hoje? E o que pretende para o futuro?<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>FM:<\/strong> \u00c9 tanta coisa que ainda precisa ser feita, que \u00e0s vezes parece que estamos fazendo um trabalho de formiguinha, mas acho que s\u00f3 o fato de a USP ter institucionalizado um programa de diversidade sexual j\u00e1 \u00e9 uma grande conquista. Pro futuro, pretendemos ampliar isso e ter, cada vez mais, pessoas comprometidas dentro da Universidade. Essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o que afeta s\u00f3 os LGBTs, ela vai al\u00e9m disso. Um ambiente que respeita a diversidade, que respeita a mulher, acaba sendo mais produtivo, onde as pessoas se sentem melhor e em que os conflitos s\u00e3o resolvidos de uma maneira mais tranquila.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" dir=\"ltr\">por <strong>VICTORIA SALEMI<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Formado em ci\u00eancias sociais pela USP, o professor Ferdinando Martins luta pelos direitos humanos desde a gradua\u00e7\u00e3o. &#8220;Minha milit\u00e2ncia \u00e9 anterior \u00e0 minha \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2014\/10\/25322\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":25331,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2575,2584],"tags":[2585,1294,2492],"class_list":["post-25322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ed432","category-entrevista","tag-ferdinando-martins","tag-usp-diversidade","tag-victoria-salemi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25322"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25338,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25322\/revisions\/25338"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}