{"id":26587,"date":"2015-08-19T21:14:37","date_gmt":"2015-08-20T00:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldocampus.usp.br\/?p=26587"},"modified":"2015-10-02T09:55:11","modified_gmt":"2015-10-02T12:55:11","slug":"crowdfunding","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2015\/08\/crowdfunding\/","title":{"rendered":"Crowdfunding viabiliza curtas-metragens produzidos por alunos do curso de Audiovisual"},"content":{"rendered":"<h6><span style=\"font-weight: 400;\">Cada vez mais utilizado, <\/span><b>m\u00e9todo de arrecada\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> financia trabalhos pr\u00e1ticos de alunos da ECA \u00a0<\/span><\/h6>\n<figure id=\"attachment_26588\" aria-describedby=\"caption-attachment-26588\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/oceano1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-26588\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/oceano1-480x270.jpg\" alt=\"oceano\" width=\"480\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/oceano1-480x270.jpg 480w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/oceano1-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-26588\" class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o: Oceano<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Produzir um filme custa caro. Os blockbusters de Hollywood normalmente ultrapassam o valor de US$ 200 milh\u00f5es. J\u00e1 as grandes produ\u00e7\u00f5es nacionais costumam custar cerca de R$ 5 milh\u00f5es. Resguardadas as propor\u00e7\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o de curtas-metragens dos alunos do curso de Audiovisual (AV) da ECA\/USP tamb\u00e9m pode ser bastante dispendiosa. Embora o Departamento de Cinema, R\u00e1dio e Televis\u00e3o (CTR) contribua fornecendo est\u00fadios, equipamentos e uma verba que pode chegar a R$ 4.600, em muitos casos ainda falta dinheiro para produzir os filmes, que, al\u00e9m de serem projetos pessoais, tamb\u00e9m servem como Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC) dos alunos.<\/span><\/p>\n<p>A sa\u00edda encontrada por esses estudantes \u00e9 recorrer a sites de financiamentos de projetos, conhecidos como crowdfundings. O mais frequentemente utilizado pelos ecanos \u00e9 o catarse (<a href=\"http:\/\/www.catarse.me\">www.catarse.me<\/a>), que ajudou Renato Duque, aluno \u00a0de AV, a arrecadar R$ 34.295 para a produ\u00e7\u00e3o do filme Oceano. O curta \u00e9 uma anima\u00e7\u00e3o em rotoscopia, t\u00e9cnica em que atores s\u00e3o transformados em desenho animado a partir de filmagens em v\u00eddeo. Entre atores, desenhistas, animadores, produtores e t\u00e9cnicos em geral, a produ\u00e7\u00e3o contou com cerca de 30 pessoas, profissionais e estudantes. O dinheiro arrecadado foi investido, principalmente, na remunera\u00e7\u00e3o da equipe. &#8220;Est\u00e1vamos j\u00e1 h\u00e1 um ano desenhando, mas o filme andava a passos muito lentos, pois as pessoas envolvidas precisavam trabalhar para se manter, e o Oceano n\u00e3o era remunerado&#8221;, comenta Renato. &#8220;Recorrer ao catarse foi a solu\u00e7\u00e3o para conseguir pagar essas pessoas por um tempo determinado, e assim garantir que todos trabalhariam por meio per\u00edodo diariamente: o tempo m\u00ednimo para se dar conta de um projeto desse porte&#8221;, conclui. Al\u00e9m do dinheiro arrecadado na campanha, Renato Duque contou ainda com a verba do CTR e com cerca de R$ 2.000 que ganhou do Programa Nascente, pr\u00eamio oferecido anualmente a projetos art\u00edsticos de alunos da USP.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Guilherme Siqueira, diretor do curta-metragem \u00a0Qualquer Um, tamb\u00e9m contou com o financiamento coletivo para produzir seu TCC do curso de AV. Ele arrecadou R$ 3.620 para complementar a verba fornecida pelo Departamento: &#8220;\u00c9 comum alunos colocarem dinheiro pr\u00f3prio para financiar os trabalhos pr\u00e1ticos. Tinha como proposta n\u00e3o fazer isso no meu filme, pois n\u00e3o queria onerar ningu\u00e9m com meu TCC&#8221;, comenta Guilherme. A solu\u00e7\u00e3o foi recorrer ao catarse: &#8220;O CTR d\u00e1 uma ajuda financeira para os projetos pr\u00e1ticos de TCC, mas, no nosso caso, o or\u00e7amento do filme era maior que o aporte do CTR, por isso usamos o crowdfunding como modo alternativo de pagar pelo filme&#8221;, explica o estudante.<\/span><\/p>\n<h5>Processo trabalhoso<\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das evidentes vantagens oferecidas pelos sites de financiamento coletivo, como a viabiliza\u00e7\u00e3o e a ampla divulga\u00e7\u00e3o de projetos pessoais, o processo de capta\u00e7\u00e3o de recursos tamb\u00e9m pode ser muito trabalhoso. Renato Duque conta que, para atingir sua meta de arrecada\u00e7\u00e3o, teve que &#8220;alimentar muito as redes sociais, e investir em divulga\u00e7\u00e3o pesada, al\u00e9m de caprichar nas recompensas: todas essas coisas se tornaram um trabalho de meio per\u00edodo. Era metade do dia fazendo o filme, metade divulgando-o para conseguir faz\u00ea-lo&#8221;. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, para Luiz Dantas, professor do CTR, todo esse esfor\u00e7o \u00e9 positivo, gerando aprendizagem: &#8220;\u00c9 um dinheiro que traz certas responsabilidades, uma forma de entender que o dinheiro que voc\u00ea recebe tem que oferecer algo em troca &#8211; acesso ao produto, algum brinde ou parte daquilo que est\u00e1 sendo criado. \u00c9 entender que voc\u00ea est\u00e1 fazendo uma obra que \u00e9 coletiva e visa visualiza\u00e7\u00e3o coletiva.\u201d O professor S\u00e9rgio Bairon, do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, Propaganda e Turismo (CRP), concorda: \u201cO crowdfunding pressup\u00f5e uma preocupa\u00e7\u00e3o coletiva em sua origem e desdobramento. H\u00e1 uma quest\u00e3o ligada \u00e0 no\u00e7\u00e3o de coletividade, como se o produtor do projeto fosse um sujeito coletivo, que prop\u00f5e algo que vai significar muito para muitas pessoas\u201d.<\/span><\/p>\n<h5>Outras alternativas<\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas nem todos os alunos de Audiovisual recorrem ao crowdfunding para financiar seus projetos de TCC. Dani Seabra, diretora do curta Serenata, foi financiada pela verba recebida do CTR e por dinheiro arrecadado em uma festa, al\u00e9m de contar com recursos pr\u00f3prios e parcerias com com\u00e9rcios. &#8220;Complementamos a verba com uma festa, apoios (por exemplo, de uma padaria que forneceu caf\u00e9 da manh\u00e3 de gra\u00e7a no set) e recursos pr\u00f3prios da equipe&#8221;, conta. Mariana Lopes, produtora que trabalhou com Dani na cria\u00e7\u00e3o de Serenata, explica quais foram os gastos envolvidos no desenvolvimento do filme: \u201cRecebemos R$ 4.600 do Departamento, mas esse dinheiro n\u00e3o foi suficiente para a produ\u00e7\u00e3o do curta. O dinheiro foi utilizado para custear alimenta\u00e7\u00e3o e transporte da equipe, aluguel de loca\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o de arte (cen\u00e1rios, objetos de cena etc), consum\u00edveis e pagamento de terceiros (atriz e seguran\u00e7a). Ao todo, gastamos R$ 6.587,46&#8243;.<\/span><\/p>\n<h5>Apoio da USP<\/h5>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Embora, frequentemente, seja invi\u00e1vel realizar um filme como TCC contando apenas com o apoio financeiro da USP, o aluno Renato Duque destaca a exist\u00eancia de outros aux\u00edlios oferecidos pela institui\u00e7\u00e3o que foram essenciais para a viabiliza\u00e7\u00e3o de seu projeto: &#8220;A Universidade forneceu est\u00fadio, equipamento para grava\u00e7\u00e3o do live-action (cenas com atores reais), al\u00e9m de oferecer os computadores para que trabalh\u00e1ssemos. Essas coisas todas, na &#8220;vida real&#8221;, tornariam o Oceano um projeto realmente dispendioso&#8221;. J\u00e1 o professor Luiz Dantas, do CTR, acredita que o aux\u00edlio financeiro disponibilizado aos alunos j\u00e1 \u00e9 suficiente: \u201cO valor \u00e9 correto, mais do que isso n\u00e3o seria necess\u00e1rio, nem desej\u00e1vel, porque os alunos tamb\u00e9m precisam se virar. E, como n\u00e3o \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o profissional, n\u00e3o faz o menor sentido a gente bancar. A escola \u00e9 p\u00fablica, oferece um aux\u00edlio. Muitas outras escolas nem oferecem isso. Acho que j\u00e1 est\u00e1 mais do que bom&#8221;. Esse modelo de arrecada\u00e7\u00e3o, segundo S\u00e9rgio Bairon, \u00e9 voltado para o perfil universit\u00e1rio: \u201cA melhor estrat\u00e9gia para o audiovisual na USP \u00e9 buscar parcerias, com uma preocupa\u00e7\u00e3o coletiva\u201d. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Confira as sinopses dos curtas\u00a0clicando <a href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2015\/08\/curtas\/\">aqui<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por \u00a0<strong>Juliana Meres<\/strong> e\u00a0<strong>Vin\u00edcius Andrade<\/strong><\/p>\n<h5><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cada vez mais utilizado, m\u00e9todo de arrecada\u00e7\u00e3o financia trabalhos pr\u00e1ticos de alunos da ECA \u00a0 Produzir um filme custa caro. 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