{"id":33994,"date":"2019-09-28T01:14:28","date_gmt":"2019-09-28T04:14:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldocampus.usp.br\/?p=33994"},"modified":"2019-09-28T03:15:37","modified_gmt":"2019-09-28T06:15:37","slug":"seguimos-contando-com-a-sorte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2019\/09\/seguimos-contando-com-a-sorte\/","title":{"rendered":"Seguimos contando com a sorte"},"content":{"rendered":"<p><strong><i>Relatos da comunidade USP e cenas encontradas no cotidiano contribuem para uma sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a dentro do campus<\/i><\/strong><\/p>\n<p><em>Por Ana Gabriela Dompieri e L\u00edgia de Castro<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_33995\" aria-describedby=\"caption-attachment-33995\" style=\"width: 1842px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/colagem-sem-efeito.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-33995\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/colagem-sem-efeito.jpg\" alt=\"\" width=\"1842\" height=\"1036\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/colagem-sem-efeito.jpg 1842w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/colagem-sem-efeito-480x270.jpg 480w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/colagem-sem-efeito-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/colagem-sem-efeito-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1842px) 100vw, 1842px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-33995\" class=\"wp-caption-text\">Montagem: L\u00edgia de Castro<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na USP, nem todo risco \u00e9 \u00f3bvio, e, \u00e0s vezes, quando acidentalmente nos deparamos com algum deles, ficamos assustados. Existe um sentimento de inseguran\u00e7a muito presente por aqui, e que, na verdade, tem origem em fatos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Logo depois de nos introduzirmos no ambiente universit\u00e1rio, temos a sensa\u00e7\u00e3o de que ele existe h\u00e1 tanto tempo que existem planos de seguran\u00e7a bem estabelecidos, esquemas preventivos, instru\u00e7\u00f5es a se repassar; e que, enfim, existe algu\u00e9m cuidando de tudo isso. O \u00fanico problema \u00e9 que n\u00e3o sabemos nada sobre tais associa\u00e7\u00f5es preventivas e de acolhimento aos alunos, e na verdade n\u00f3s dever\u00edamos.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ser\u00e1 que o problema sou eu?, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">poder\u00edamos nos perguntar. Mas vamos ver voc\u00ea, responda r\u00e1pido: se o seu amigo acabou de quebrar a perna na cidade universit\u00e1ria, para quem deve ligar? Guarda Universit\u00e1ria, SAMU, SAS, HU? Se voc\u00ea respondeu Guarda, acertou. Segundo a assistente social do SAS, o problema \u00e9 que s\u00f3 vamos pensar nisso na hora que algo der errado, e, \u00e0s vezes, nessa hora n\u00e3o d\u00e1 pra pensar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outros tipos de situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e3o sendo aceitos como imprevis\u00edveis e incontrol\u00e1veis mais do que deveriam. Nos tranquilizamos pelo mantra do \u201cnada vai acontecer\u201d, porque, se acontecesse, ficar\u00edamos de m\u00e3os atadas. Mesmo quando alunos v\u00e3o atr\u00e1s das informa\u00e7\u00f5es, elas parecem inating\u00edveis, ou b\u00e1sicas demais como \u201cbaixe o app de seguran\u00e7a no campus\u201d. Isso nem de longe resolve quest\u00f5es como as que tentamos retratar em seguida, em v\u00e1rias cenas (cotidianas ou n\u00e3o) de riscos que, de uma forma ou de outra, foram apresentados a n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><strong>CRUSP<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A confus\u00e3o entre p\u00fablico e privado faz com que seja dif\u00edcil se sentir em casa no Crusp. \u00c9 o que conta Wagner Silva, estudante de Geografia e morador desde 2017. Ele pontua que a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a na moradia estudantil prov\u00e9m mais do privil\u00e9gio de se ter um amigo como companheiro de apartamento, como \u00e9 seu caso, do que de m\u00e9todos desenvolvidos e aplicados com esse objetivo. \u201cEu j\u00e1 vi pessoas for\u00e7ando a ma\u00e7aneta do meu apartamento, que por sorte estava trancado, e tamb\u00e9m j\u00e1 vi esse tipo de tentativa em outros apartamentos. O porteiro n\u00e3o tem controle dessas ocorr\u00eancias\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele ouviu vezes em que pessoas conseguiram entrar para os apartamentos pelas janelas do corredor para roubar. E a porta do seu pr\u00f3prio apartamento \u00e9 diferente: foi arrombada e teve que ser trocada. O acesso \u00e9 livre aos andares a todas as horas, para qualquer um. Segundo Ronan Lima, aluno de Hist\u00f3ria, casos recentes envolvem furtos de bicicletas, e Wagner acrescenta ataques f\u00edsicos de uma moradora psicoat\u00edpica. Depois de uma repercuss\u00e3o no grupo dos vizinhos, Wagner n\u00e3o sabe como essa hist\u00f3ria acabou ou se acabou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Guilherme, estudante de Editora\u00e7\u00e3o e morador desde 2016, alerta para outras cenas de desamparo como vazamentos de g\u00e1s, somados a fios desencapados, ou de \u00e1gua sobre a caixa de luz. H\u00e1 risco de ficar preso por horas no elevador. \u201cTamb\u00e9m nos deparamos com po\u00e7as de urina ou fezes humanas na cozinha\u201d. Ele refor\u00e7a a quest\u00e3o da recorr\u00eancia dos surtos de moradores e, nesses casos, outro risco \u00e9 o de, sendo algu\u00e9m que precisaria de apoio psicol\u00f3gico, acabar preso como um \u201cbandido comum\u201d.<\/span><\/p>\n<p><strong>INC\u00caNDIOS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entramos na sala. Aula longa: 4 horas. O assunto vaga pelo espa\u00e7o, enquanto olho, distra\u00edda, para a janela. Na janela, v\u00e1rios recortes do lado de fora \u2013 uma grade dividindo-o em tantos peda\u00e7os. Enquanto isso, na minha cabe\u00e7a, a lembran\u00e7a de que um engenheiro havia avaliado o mesmo pr\u00e9dio em que piso, e havia dito que \u201cn\u00e3o sabia como ainda n\u00e3o tinha pegado fogo\u201d. Penso na possibilidade do fogo, e enfim percebo que n\u00e3o poderia sair pelos ferros da janela \u2013 e, do meu outro lado, s\u00f3 h\u00e1 uma porta para a vaz\u00e3o tumultuada de tantos alunos. Percebo que tamb\u00e9m n\u00e3o sei usar um extintor, e que, em mais de um ano e meio estudando aqui, ningu\u00e9m se preocupou em me ensinar um plano de evacua\u00e7\u00e3o do Departamento de Jornalismo e Editora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o me lembro que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave que isso. Porque n\u00e3o se trata apenas do CJE: no final de 2018, uma mat\u00e9ria do JC investigou e descobriu que apenas uma, dentre todas as unidades da USP, possui o alvar\u00e1 dos bombeiros. Esse ano, s\u00e3o duas: um dos pr\u00e9dios da POLI, e o IEE. E indo um pouco al\u00e9m, tamb\u00e9m n\u00e3o encontramos nenhum \u00f3rg\u00e3o que pudesse nos informar de um programa de preven\u00e7\u00e3o para os calouros. N\u00e3o o SAS, n\u00e3o as CIPAs, e n\u00e3o a Superintend\u00eancia de Preven\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria (SPPU).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inclusive, ao contatar essa Superintend\u00eancia (dizendo que, como alunas, quer\u00edamos saber de seus mecanismos de preven\u00e7\u00e3o), recebemos a resposta de que n\u00e3o precis\u00e1vamos nos preocupar, porque a USP \u00e9 segura. E ainda ouvimos que um evento sobre preven\u00e7\u00e3o acontece, sim, de seis em seis meses, em pr\u00e9dios diferentes da universidade. Mas a pessoa n\u00e3o sabia quando seria o pr\u00f3ximo, quando tinha acontecido o \u00faltimo, e como, meu deus, poder\u00edamos conseguir essa instru\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nosso professor ent\u00e3o nos alerta para o fato de que em 2001 havia acontecido um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es no pr\u00e9dio central da ECA \u2013 que destruiu acervos importantes da Escola. Fa\u00e7o uma r\u00e1pida pesquisa no google, e vejo que a coisa n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o distante: em 2010, houve um princ\u00edpio de inc\u00eandio que bombeiros tiveram de controlar, nesse mesmo pr\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E estamos aqui, esperando pelo pr\u00f3ximo.<\/span><\/p>\n<p><strong>OS MUSEUS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rochas chamam aten\u00e7\u00e3o ao adentrar o Museu de Geoci\u00eancias da USP. Com o intuito de valorizar nosso patrim\u00f4nio geol\u00f3gico, o espa\u00e7o guarda v\u00e1rios f\u00f3sseis e minerais (preciosos ou semipreciosos) em prateleiras de vidro, e \u00e0 chave. Alguns dos mesmos, no entanto, ficam expostos em mesas compridas e abertas, em uma tentativa de uma intera\u00e7\u00e3o maior com o visitante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eis que nosso professor de jornalismo conta que, em um belo dia, levou suas filhas para visitar o museu, e, ao longo do percurso, percebeu que a mais nova havia pegado uma pedra e estava levando-a embora. F\u00e1cil assim. Ap\u00f3s o retorno da pe\u00e7a, p\u00f4de tornar essa hist\u00f3ria um s\u00edmbolo da desprote\u00e7\u00e3o dos museus da USP \u2013 que, nesse caso, era vigiado apenas por um controlador de acesso e por algumas c\u00e2meras que n\u00e3o fizeram tanta diferen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em outra visita ao museu, vi a cena se repetir: uma excurs\u00e3o de muitas crian\u00e7as entrava e brincava com as pe\u00e7as, e fiquei pensando se dessa vez n\u00e3o levariam mesmo alguma embora.<\/span><\/p>\n<p><strong>FURTOS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Investigando uma mat\u00e9ria da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do JC (\u201cProcura-se um lugar para estudar na USP\u201d), a rep\u00f3rter Larissa Silva acabou esbarrando em uma informa\u00e7\u00e3o relevante: enquanto visitava o IME para entender o funcionamento de sua sala de estudos, a assistente administrativa do instituto contou que, no dia 22 de agosto, no bloco A, aconteceram furtos em 7 salas docentes. N\u00e3o h\u00e1 c\u00e2meras de seguran\u00e7as instaladas pelo lugar e a investiga\u00e7\u00e3o sobre o caso ainda est\u00e1 se desenrolando. Mas \u00e9 certo que levaram m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas e pertences de doutorandos (e, estranhamente, estes eram alguns dos mais novos e sofisticados do Instituto).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No mesmo m\u00eas, um outro caso (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">HQ da p\u00e1gina 6<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">): o roubo de 29 notebooks do curso de Biblioteconomia. Um evento maior acontecia no mesmo pr\u00e9dio, o que talvez tenha facilitado o ir e vir do(s) indiv\u00edduo(s). Ainda assim, fica a pergunta: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">como assim levaram <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">29 notebooks?<\/span><\/p>\n<p><strong>GUARDA UNIVERSIT\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Guarda Universit\u00e1ria \u00e9 uma parte importante do sistema de prote\u00e7\u00e3o da USP. Vinculada \u00e0 Superintend\u00eancia de Preven\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria, tem o objetivo de acompanhar os alunos e funcion\u00e1rios para que os protejam de amea\u00e7as. O problema, aqui, \u00e9 mais delicado e mais absurdo, porque essas pessoas, que est\u00e3o \u00e0 servi\u00e7o da comunidade, tamb\u00e9m est\u00e3o desprotegidas. A falta de coletes \u00e0 prova de balas e o fato de que eles d\u00e3o flagrante apontando uma lanterna para a cara do infrator s\u00e3o chocantes o suficiente para que algo seja feito a respeito. Isso sem contar o pol\u00eamico fato de n\u00e3o usarem armas. E a quest\u00e3o se estende tamb\u00e9m aos \u201ccontroladores de acesso\u201d de cada departamento, que na verdade n\u00e3o t\u00eam qualquer equipamento de prote\u00e7\u00e3o nem prepara\u00e7\u00e3o para um caso mais grave, e est\u00e3o ali na nossa frente esperando pelo pior.<\/span><\/p>\n<p><strong>AMEA\u00c7AS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Podemos lembrar de casos que simbolizam o \u201cgra\u00e7as a Deus n\u00e3o aconteceu nada pior\u201d na USP. Apenas pouco depois do massacre de Suzano, duas amea\u00e7as graves ocorreram na por aqui. Uma delas, numa sexta-feira, quando um homem entrou no Departamento de Jornalismo e Editora\u00e7\u00e3o (CJE\/ECA) sob o pretexto de usar o banheiro, mas foi para uma sala de aula. Ele a invade e, aos gritos, usa o professor como interlocutor. Um aluno relatou: \u201cEle chegou na sala e gritou: \u2018professores, vim falar sobre a menina que voc\u00eas dizem que eu estuprei\u00b4. A\u00ed o professor\u00a0 falou: \u201camigo, volta daqui uns 10 minutos, estamos em aula\u201d. Ele: \u2018agora eu sou amigo, \u00e9? Quando eu voltar voc\u00eas v\u00e3o ver\u2019.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDesesperador\u201d e \u201caterrorizante\u201d foram palavras usadas pelos alunos para descrever a situa\u00e7\u00e3o. O professor, ao contr\u00e1rio do que parecia por sua resposta controlada, sabia t\u00e3o pouco quanto eles.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na segunda-feira, primeiro dia letivo ap\u00f3s as amea\u00e7as, uma secret\u00e1ria quis tranquilizar uma aluna que tentou contato, dizendo que os professores do Departamento estariam a par do ocorrido e que uma reuni\u00e3o estava marcada para o dia seguinte. Na verdade, eles n\u00e3o possu\u00edam a vers\u00e3o dos alunos e nem a do seguran\u00e7a, o que os deixava atr\u00e1s de onde queriam aparentar. Os alunos tentavam fingir, nos pr\u00f3ximos dias, que nada iria acontecer. Nenhuma instru\u00e7\u00e3o ou sequer informa\u00e7\u00e3o foi oficialmente repassada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dia letivo ap\u00f3s o ocorrido, tudo que a seguran\u00e7a sabia era \u201cque \u00e9 um homem de mais ou menos 1,70 m\u201d. N\u00e3o sabia que ele havia prometido voltar. Dias depois, um v\u00eddeo de um homem gritando numa sala ao lado apavorou os alunos; e nesse momento estava desocupada a cadeira dos seguran\u00e7as, bem como estaria novamente por um per\u00edodo consider\u00e1vel dali a uma hora. Caso o homem retornasse, a fuga seria dif\u00edcil:: porta \u00fanica e janelas gradeadas. Passei semanas escolhendo lugares da sala que eu pensava ter mais chance de escapar de um poss\u00edvel ataque.<\/span><\/p>\n<p><strong>N\u00c3O-PREVEN\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Imersos em tantas situa\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a dos campi, seria de se esperar que os alunos tivessem ao menos um comit\u00ea\/\u00f3rg\u00e3o que os preparasse para tais perigos. Ou que oficialmente os acolhesse quando a amea\u00e7a n\u00e3o p\u00f4de ser evitada, e quando n\u00e3o soubessem como lidar com ela. O JC tentou contato com algumas dessas poss\u00edveis associa\u00e7\u00f5es, no entanto, e simplesmente foi sendo lan\u00e7ado para outros lugares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A CIPA, Comiss\u00e3o Interna de Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes, \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a obrigat\u00f3ria a cada unidade de trabalho da USP (norma da CLT). Tais Comiss\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis, entre outras tarefas, por tra\u00e7ar os Mapas de Risco de cada departamento, e pela realiza\u00e7\u00e3o anual de uma Semana Interna de Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes do Trabalho (SIPAT), de car\u00e1ter instrutivo. Em contato com a CIPA da ECA, foi-nos dito que as comiss\u00f5es s\u00e3o mesmo voltadas para os funcion\u00e1rios, e que eles n\u00e3o tinham conhecimento de uma outra proposta aberta aos alunos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A SIPAT, entretanto, de fato tem livre acesso a todos os interessados. Esse ano, aconteceu nesse m\u00eas, e foi organizada por todas as CIPAs da USP em conjunto. Encontramos um \u201cv\u00eddeo de encerramento\u201d de 10 minutos na p\u00e1gina oficial do evento, no Facebook, que na verdade nos deixou em choque. Entre m\u00fasicas dan\u00e7antes e palestras sobre sa\u00fade bucal e ci\u00eancia divertida, h\u00e1 no final uma montagem de fotos de todas as pessoas que dormiram durante o evento \u2013 sem falar nas legendas \u201czueiras\u201d comparando um funcion\u00e1rio a um \u201cminion\u201d e outra pessoa ao Whindersson Nunes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como j\u00e1 relatado no intert\u00edtulo \u201cinc\u00eandios\u201d, a Superintend\u00eancia de Preven\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria tamb\u00e9m n\u00e3o nos ofereceu muita ajuda al\u00e9m de indicar que baix\u00e1ssemos o aplicativo de seguran\u00e7a da USP. A SAS tamb\u00e9m disse que n\u00e3o cuidava desse tipo de assunto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O relato de Wagner e Lu\u00eds, moradores do CRUSP, tamb\u00e9m nos acendeu para o fato de que a pr\u00f3pria falta de aviso sobre poss\u00edveis acompanhamentos psicol\u00f3gicos, ali dentro da USP, esteja deixando esses moradores \u00e0 deriva, e doentes.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Relatos da comunidade USP e cenas encontradas no cotidiano contribuem para uma sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a dentro do campus Por Ana Gabriela Dompieri e \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2019\/09\/seguimos-contando-com-a-sorte\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":33995,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4644,3218,3148,4422],"tags":[227,4645,1467],"class_list":["post-33994","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ed-503","category-em-alta","category-universidade","category-universidade-2","tag-cidade-universitaria","tag-edicao-503","tag-inseguranca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33994","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33994"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33994\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33996,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33994\/revisions\/33996"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33995"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}