{"id":38494,"date":"2021-07-08T20:00:27","date_gmt":"2021-07-08T23:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldocampus.usp.br\/?p=38494"},"modified":"2021-07-09T19:37:58","modified_gmt":"2021-07-09T22:37:58","slug":"de-volta-a-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2021\/07\/de-volta-a-rua\/","title":{"rendered":"De volta \u00e0 rua"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Entre a apreens\u00e3o com o v\u00edrus e a ansiedade pelos reencontros, brasileiras contam como est\u00e1 sendo a flexibiliza\u00e7\u00e3o do lockdown em suas cidades de resid\u00eancia<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-37558\" style=\"font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit;\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/em-pauta.png\" alt=\"\" width=\"193\" height=\"24\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>por<i> Ana Beatriz Garcia<\/i><\/p>\n<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-38495\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0083.jpg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0083.jpg 1600w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0083-480x360.jpg 480w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0083-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0083-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><strong>Fabiane e colegas em Zurique, em maio de 2021. <em>Foto: Fabiane Midori\/Arquivo pessoal<\/em><\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estudar, trabalhar, cuidar da casa e das atividades habituais, cuidar dos filhos, conviver com amigos, viajar vez ou outra para lugares novos. \u00c9 assim a rotina de boa parte dos brasileiros de classe m\u00e9dia que vivem uma vida j\u00e1 estabelecida fora do pa\u00eds. Ou pelo menos era, at\u00e9 2020, quando a epidemia da COVID-19 instaurou uma preocupa\u00e7\u00e3o global com quest\u00f5es como distanciamento social, testagens, ocupa\u00e7\u00e3o de leitos e taxas di\u00e1rias de morte.<\/p>\n<p>A pandemia modificou, desde o in\u00edcio do ano de 2020, os h\u00e1bitos de pessoas em todos os cantos do planeta, levando governos a adotarem estrat\u00e9gias para conter o avan\u00e7o do v\u00edrus e evitar que a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade sa\u00edsse do controle. Isso fez com que a popula\u00e7\u00e3o, em maior ou menor medida, tivesse que sacrificar certas atividades temporariamente para que fosse poss\u00edvel essa conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em meio a primeiras, segundas e terceiras \u201condas\u201d e o \u201cabre e fecha\u201d que se tornou comum em quase todo lugar, decorrido quase um ano e meio dos primeiros casos se tornarem pauta mundialmente importante, a vacina\u00e7\u00e3o avan\u00e7a com velocidades e alcances diversos em localidades diferentes, e as administra\u00e7\u00f5es de cidades, estados e pa\u00edses estabelecem regramentos que, espera-se, ser\u00e3o mais definitivos na dire\u00e7\u00e3o de uma \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d da vida cotidiana.<\/p>\n<p>\u201cEu confio nas recomenda\u00e7\u00f5es [referentes \u00e0 reabertura], porque em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do Governo eu tenho a impress\u00e3o de que a Su\u00ed\u00e7a tem desde o princ\u00edpio feito uma campanha muito boa sobre o que realmente a gente tinha que fazer\u201d, diz Fabiane Midori Nakagawa, moradora de Berna desde 2019. As diretrizes espec\u00edficas e bastante discutidas na esfera p\u00fablica proporcionaram \u00e0 advogada um sentimento de que seria poss\u00edvel e segura a flexibiliza\u00e7\u00e3o na medida autorizada pelo Conselho Federal su\u00ed\u00e7o. \u201cEu sempre respeitei e segui at\u00e9 mesmo a limita\u00e7\u00e3o de n\u00famero de pessoas que voc\u00ea pode encontrar. No come\u00e7o diziam \u2018evite todo contato\u2019, ent\u00e3o n\u00e3o encontr\u00e1vamos ningu\u00e9m. Depois passou para coisas como \u2018encontros de at\u00e9 cinco pessoas em \u00e1reas externas\u2019, e hoje em dia h\u00e1 orienta\u00e7\u00f5es para tudo: festas privadas, eventos comerciais e culturais\u201d.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia robusta de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi apontada por Paula Davoglio, moradora da Cidade do M\u00e9xico, como uma fonte de seguran\u00e7a no momento da reabertura. \u201cO que o governo do M\u00e9xico fez foi criar desde o come\u00e7o um programa p\u00fablico, das sete \u00e0s oito, transmitido pelos canais como o momento de o estado dar informa\u00e7\u00f5es sobre a COVID. E acho que foi bom, as pessoas tinham mais informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqui, no geral, as pessoas estavam mais informadas. Inclusive criaram uma estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o maravilhosa que era a Susana Distancia, uma super-hero\u00edna com os bra\u00e7os abertos\u201d, complementa, sobre a maneira utilizada pelo governo para tornar a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre o distanciamento social com maior efetividade. O nome Susana Distancia \u00e9 um trocadilho com <i>\u201csu sana distancia\u201d<\/i>, a dist\u00e2ncia segura a se manter em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras pessoas representada pelos bra\u00e7os abertos.<\/p>\n<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-38496\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Susana-Distancia.jpg\" alt=\"\" width=\"1800\" height=\"843\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Susana-Distancia.jpg 1800w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Susana-Distancia-480x225.jpg 480w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Susana-Distancia-768x360.jpg 768w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Susana-Distancia-1024x480.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1800px) 100vw, 1800px\" \/><strong>Susana Distancia, super-hero\u00edna criada pelo governo mexicano para alertar sobre a import\u00e2ncia do distanciamento social. <em>Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de testagem em massa de alguns pa\u00edses tamb\u00e9m foi um recurso que deu mais seguran\u00e7a para as pessoas se engajarem em novas rotinas de reabertura. Foi o caso de Luxemburgo, como relata Kauyne Parise, engenheira brasileira residente no pa\u00eds desde 2018. \u201cAqui a gente sempre teve um pouco mais de tranquilidade porque eles fizeram testes de larga escala, a gente recebia com frequ\u00eancia convites para fazer o teste de PCR. Eu e os meus amigos est\u00e1vamos nos testando quase que a cada tr\u00eas semanas\u201d.<\/p>\n<p>Na universidade em que Kauyne estuda tamb\u00e9m foram distribu\u00eddos kits de testes r\u00e1pidos, com a possibilidade de pedir mais testes na farm\u00e1cia. A medida tamb\u00e9m foi adotada para a popula\u00e7\u00e3o em geral, pela prefeitura de Luxemburgo.<\/p>\n<p>Os testes t\u00eam tido um papel importante tamb\u00e9m na reabertura de espa\u00e7os de lazer, como bares e casas noturnas. \u201cDesde s\u00e1bado (26 de junho) houve uma nova flexibiliza\u00e7\u00e3o, praticamente tudo agora est\u00e1 aberto, mas todos os estabelecimentos t\u00eam que ter um sistema de seguran\u00e7a que permita que a higiene seja respeitada, mas em bares e baladas foi decretado que voc\u00ea s\u00f3 pode entrar com certificado COVID, que \u00e9 um sistema de QR-Code que mostra que a pessoa j\u00e1 foi vacinada com as duas doses ou j\u00e1 teve COVID e sarou nos \u00faltimos seis meses, ou que ela fez um teste com resultado negativo nas \u00faltimas setenta e duas horas\u201d, relata Fabiane sobre a situa\u00e7\u00e3o de Berna, Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Protocolo semelhante foi adotado em Luxemburgo. \u201cEm bares e baladas, pediam os testes na entrada, ou voc\u00ea fazia l\u00e1 na porta \u2013 se voc\u00ea n\u00e3o tivesse um teste de laborat\u00f3rio, eles te forneciam um teste para voc\u00ea fazer na hora\u201d, conta Kauyne. Esse protocolo, no entanto, n\u00e3o foi suficiente para que ela se sinta segura para ir em festas ainda. \u201cN\u00e3o sei bem como est\u00e1 funcionando agora, porque eu n\u00e3o fui. Tenho medo\u201d.<\/p>\n<p>O receio tamb\u00e9m existe ainda para Melissa Machuca, residente de Madri desde 2014, que acredita ainda ser cedo para retomar algumas atividades do pr\u00e9-pandemia. \u201cEu me sinto apreensiva, acredito que dever\u00edamos aguardar mais tempo, at\u00e9 que os jovens sejam vacinados. Tenho receio pelos rebotes que j\u00e1 est\u00e3o acontecendo em Mallorca e pelas variantes que est\u00e3o aparecendo em outros pa\u00edses. \u00c9 um v\u00edrus t\u00e3o potente e perigoso que acredito n\u00e3o estarmos seguros em lugar algum\u201d.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os nas reaberturas, os limites de lota\u00e7\u00e3o est\u00e3o presentes em quase todos os relatos. \u00c9 o que conta Marcela Scota, designer brasileira que se mudou para Kilkenny, na Irlanda, em agosto de 2020, j\u00e1 em meio \u00e0 pandemia. \u201cAgora, na fase p\u00f3s-segundo lockdown, a maior mudan\u00e7a \u00e9 a reabertura do com\u00e9rcio e dos bares e restaurantes, mas ainda com restri\u00e7\u00e3o de n\u00famero de pessoas\u201d. A reabertura, por\u00e9m, continua sendo gradual: \u201csinto que o governo tem a preocupa\u00e7\u00e3o de prevenir mais ondas de cont\u00e1gio, e acho sensato eles n\u00e3o sa\u00edrem reabrindo tudo, mesmo n\u00e3o agradando muito a popula\u00e7\u00e3o e os donos de estabelecimentos\u201d.<\/p>\n<p>As atividades ao ar livre representaram, nos meses de flexibiliza\u00e7\u00e3o em meio ao ver\u00e3o de 2020, um respiro para viabilizar encontros com menor risco de contamina\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que relata Ana Laura Zuanazzi, que morou em Mettmann, regi\u00e3o de Dusseldorf, Alemanha, durante o primeiro ano da pandemia. \u201cO ver\u00e3o [de 2020] foi tranquilo, a gente fazia muito piquenique para estar junto\u201d. O mau tempo, no entanto, n\u00e3o permitiu que a experi\u00eancia se repetisse em 2021. \u201cO inverno desse ano foi muito longo, o ver\u00e3o est\u00e1 muito, muito ameno. Ent\u00e3o, a gente teve inverno at\u00e9 come\u00e7o de junho, o que fez com que as pessoas n\u00e3o pudessem estar em lugares que pudessem abrir no lado de fora. Estava muito frio, chovendo, vento, ent\u00e3o acabamos ficando muito tempo em lockdown\u201d.<\/p>\n<p>Para Marcela, tais atividades tamb\u00e9m se mostraram uma op\u00e7\u00e3o em Kilkenny, embora a previs\u00e3o do tempo tamb\u00e9m seja uma quest\u00e3o. \u201cPor v\u00e1rios meses, restaurante era s\u00f3 por delivery e o com\u00e9rcio estava fechado. Passeios ao ar livre eram as \u00fanicas op\u00e7\u00f5es \u2013 e ainda s\u00e3o minha op\u00e7\u00e3o preferida. S\u00f3 a chuva aqui que estraga um pouco os planos\u201d.<\/p>\n<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-38497\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210628-WA0061-01.jpeg\" alt=\"\" width=\"1127\" height=\"699\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210628-WA0061-01.jpeg 1127w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210628-WA0061-01-480x298.jpeg 480w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210628-WA0061-01-768x476.jpeg 768w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210628-WA0061-01-1024x635.jpeg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1127px) 100vw, 1127px\" \/><strong>Jovens se re\u00fanem na pista de skate em Kilkenny. <\/strong><em><strong>Foto:<\/strong><strong><em> Ma<\/em>rcela Scota\/Arquivo pessoal.<\/strong><\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As restri\u00e7\u00f5es de n\u00famero de pessoas acabam por ocasionar certa demora para atividades como realizar compras no mercado, j\u00e1 que\u00a0 obriga a espera da libera\u00e7\u00e3o da entrada em filas no exterior dos estabelecimentos. \u00c9 o que relatam Fabiane e Kauyne. Melissa, no entanto, passou a optar por realizar compras on-line, por se sentir mais segura. \u201cMadri n\u00e3o era uma cidade t\u00e3o dependente de servi\u00e7os de entrega, hoje aumentou muito. Mercados e restaurantes se adequaram ao sistema de delivery. Eu mesma, muitas vezes compro on-line pelo mercado \u2013 isso foi depois da pandemia, nunca havia feito isso antes\u201d.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos estudos, enquanto as universidades se adequaram ao ensino remoto, as medidas com rela\u00e7\u00e3o ao ensino de crian\u00e7as e jovens variou. Para Melissa, m\u00e3e de Eduardo, 10 anos, e Felipe, 5 anos, o ensino presencial, que foi retomado em Madri, causou certo receio, mas foi lido como positivo. \u201cTodos ficamos muito apreensivos e com medo de contamina\u00e7\u00e3o. Mas acredito que [a retomada do ensino presencial] foi necess\u00e1ria para o desenvolvimento e bem estar das crian\u00e7as. Ficar trancados e sem contato com outras crian\u00e7as foi muito complicado, principalmente para o mais novo. Ele sentia muita falta de interagir\u201d.<\/p>\n<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-38498\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0015-01.jpeg\" alt=\"\" width=\"897\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0015-01.jpeg 897w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0015-01-432x360.jpeg 432w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210629-WA0015-01-768x640.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 897px) 100vw, 897px\" \/><strong>Feira na Plaza Mayor de Chinch\u00f3n, munic\u00edpio pr\u00f3ximo a Madri. <em>Foto: Melissa Machuca\/Arquivo pessoal.<\/em><\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outras localidades, as medidas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas variaram. Em Luxemburgo, por exemplo, foram mantidas abertas, mesmo nos per\u00edodos de lockdown. \u201cEles sempre priorizaram as escolas, a educa\u00e7\u00e3o. Enquanto os bares, restaurantes, at\u00e9 o com\u00e9rcio mesmo, ficaram fechados por um tempo, eu achei interessante que a educa\u00e7\u00e3o nunca parou, as crian\u00e7as continuaram indo para a escola, exceto as primeiras tr\u00eas semanas em mar\u00e7o [de 2020]\u201d, conta Kauyne.<\/p>\n<p>J\u00e1 em D\u00fcsseldorf, a maior parte das crian\u00e7as foi mantida em casa, por meio do ensino remoto. \u201cAqui, as crian\u00e7as que tinham pais que trabalhavam em atividades essenciais tinham a prerrogativa de ir para a escola. Os outros foram levados para casa\u201d, relata Ana Laura.<\/p>\n<p>Para quem teve a possibilidade de trabalhar remotamente durante os momentos mais graves da pandemia, chega agora um momento de indefini\u00e7\u00e3o. Se alguns empregadores autorizam que os funcion\u00e1rios trabalhem de casa at\u00e9 a vacina\u00e7\u00e3o atingir percentuais mais altos da popula\u00e7\u00e3o, outros t\u00eam mais pressa na retomada das atividades presenciais. \u00c9 o caso do chefe de Fabiane. \u201cAgora j\u00e1 existe a possibilidade de no futuro depois da pandemia a pessoa trabalhar uma parte em <i>home office<\/i>. \u00c9 uma coisa que no nosso of\u00edcio sempre foi muito tabu, porque o chefe n\u00e3o gosta, mas foi decretada [essa possibilidade] na Administra\u00e7\u00e3o Federal, ent\u00e3o agora o que manda \u00e9 essa diretiva\u201d.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o pensa, no entanto, em ficar em uma rotina de trabalho parcialmente remota. \u201cA maioria das pessoas quer fazer pelo menos um dia de <i>home office<\/i>. Eu falei que eu n\u00e3o queria, voc\u00ea perde o contato com os colegas, voc\u00ea fica o tempo todo em uma posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito confort\u00e1vel, porque, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ergon\u00f4mico quanto um escrit\u00f3rio. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, eu prefiro realmente ir, eu moro perto. Eu n\u00e3o sinto medo, porque eu sei que as pessoas s\u00e3o educadas e na minha equipe est\u00e3o todas vacinadas\u201d.<\/p>\n<p>Melissa, que \u00e9 secret\u00e1ria e assistente administrativa em uma empresa de tecnologia, relata que as mudan\u00e7as devem ocorrer a partir do final do m\u00eas. \u201cNa minha empresa podemos fazer <i>home office<\/i>, mas muitas empresas j\u00e1 est\u00e3o trabalhando presencial alguns dias na semana. A partir de agosto a maioria ir\u00e1 trabalhar presencialmente pelo menos 50%. Eu vou alguns dias por m\u00eas, e estou tranquila quanto a isto\u201d.<\/p>\n<p>Outros tipos de atividade n\u00e3o permitiram o trabalho totalmente remoto, como conta Kauyne, que trabalhou em uma empresa de engenharia. \u201cQuando eu estava trabalhando no escrit\u00f3rio, eu fazia <i>home office <\/i>alguns dias. Em outros dias eu ia, porque eu ia para a obra. Mas muita gente tem trabalhado de casa\u201d.<\/p>\n<p>O uso obrigat\u00f3rio de m\u00e1scaras \u00e9 apontado como um fator importante para garantir a tranquilidade nessas situa\u00e7\u00f5es em que sair de casa se mostra necess\u00e1rio \u2013 e num momento em que as ruas j\u00e1 est\u00e3o bem mais movimentadas do que durante per\u00edodos de maior restri\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-38501\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210707-WA0018.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210707-WA0018.jpg 768w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG-20210707-WA0018-270x360.jpg 270w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><strong>Paula aproveitou o regime de home office para passar uma semana trabalhando de Oaxaca. Na foto, Monte Alb\u00e1n, um importante s\u00edtio arqueol\u00f3gico da regi\u00e3o. <em>Foto: Paula Davoglio\/Arquivo pessoal.<\/em><\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 n\u00e3o me sinto t\u00e3o insegura. O uso de m\u00e1scaras foi obrigat\u00f3rio, continua sendo. No meu bairro eu vejo bastante [pessoas usando m\u00e1scara], menos as pessoas fazendo exerc\u00edcio, correndo, a\u00ed n\u00e3o. Mas, no geral, no supermercado, especialmente em lugar fechado, todo mundo usa\u201d, relata Paula sobre a situa\u00e7\u00e3o na Cidade do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Em ambientes como transporte coletivo, o uso da m\u00e1scara parece representar um fator indispens\u00e1vel para que as pessoas se sintam confort\u00e1veis com a retomada de sua utiliza\u00e7\u00e3o. Alguns lugares, inclusive, determinaram o uso de m\u00e1scaras espec\u00edficas, como na Alemanha, como relata Ana Laura. \u201cDentro de transporte p\u00fablico s\u00f3 [se pode usar] aquela m\u00e1scara [PFF2], a mais segura. Eu, inclusive, s\u00f3 tinha essa m\u00e1scara, porque era a \u00fanica que voc\u00ea podia andar nos transportes, desde janeiro\u201d. Ainda assim, h\u00e1 quem n\u00e3o respeite as recomenda\u00e7\u00f5es, causando inc\u00f4modo. \u201cA pessoa que n\u00e3o usa m\u00e1scara, ou usa m\u00e1scara no nariz&#8230; D\u00e1 muita raiva. Eu me sinto muito mais exposta quando a pessoa n\u00e3o t\u00e1 nem a\u00ed. Mas a maioria das pessoas respeita\u201d.<\/p>\n<p>A \u201cm\u00e1scara no nariz\u201d tamb\u00e9m \u00e9 um problema relatado por Melissa, e que causa grande desconforto. \u201cAqui [em Madri] o uso da m\u00e1scara \u00e9 obrigat\u00f3rio em locais fechados. A maioria est\u00e1 usando de maneira correta, mas outro dia tive que usar o metr\u00f4 e tanto na ida quanto na volta sentaram ao meu lado com o nariz para fora. Eu me senti insegura, mudei de lugar\u201d.<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel imaginar, a gradual reabertura, em todo lugar, demandar\u00e1 certos cuidados e comprometimento coletivo, al\u00e9m de orienta\u00e7\u00f5es efetivas e confi\u00e1veis das autoridades, para que se d\u00ea em seguran\u00e7a. Mas embora a \u201cvida de antes\u201d ainda pare\u00e7a um tanto distante, se aproximam as possibilidades de aproveitar pequenas coisas que relembrem a normalidade da \u00e9poca pr\u00e9-pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre a apreens\u00e3o com o v\u00edrus e a ansiedade pelos reencontros, brasileiras contam como est\u00e1 sendo a flexibiliza\u00e7\u00e3o do lockdown em suas cidades \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2021\/07\/de-volta-a-rua\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":38495,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5164,3151,245],"tags":[4801,4802,5193,5192,5194,5063],"class_list":["post-38494","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-5164","category-editorias","category-em_pauta","tag-coronavirus","tag-covid-19","tag-distanciamento-social","tag-flexibilizacao","tag-home-office","tag-lockdown"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38494"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38494\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38512,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38494\/revisions\/38512"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}