{"id":5580,"date":"2009-10-29T12:25:26","date_gmt":"2009-10-29T14:25:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldocampus.usp.br\/?p=5580"},"modified":"2010-03-07T17:36:41","modified_gmt":"2010-03-07T19:36:41","slug":"como-voce-pratica-a-sua-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2009\/10\/como-voce-pratica-a-sua-fe\/","title":{"rendered":"Como voc\u00ea pratica a sua f\u00e9?"},"content":{"rendered":"<h5><a name=\"indice\"><\/a>\u00cdndice<\/h5>\n<p><a href=\"#1\">Catolicismo<\/a><br \/>\n<a href=\"#2\">Juda\u00edsmo<\/a><br \/>\n<a href=\"#3\">Isl\u00e3<\/a><br \/>\n<a href=\"#4\">Pentecostalismo<\/a><br \/>\n<a href=\"#5\">Presbiterianismo<\/a><br \/>\n<a href=\"#6\">Espiritismo<\/a><br \/>\n<a href=\"#7\">Ate\u00edsmo<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h3><a name=\"1\"><\/a>Catolicismo<\/h3>\n<figure id=\"attachment_5593\" aria-describedby=\"caption-attachment-5593\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5593\" title=\"Grupo Focolare reunido na Pra\u00e7a do Rel\u00f3gio (foto: Teresa Perosa)\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_cato.jpg\" alt=\"Grupo Focolare reunido na Pra\u00e7a do Rel\u00f3gio (foto: Teresa Perosa)\" width=\"480\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_cato.jpg 480w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_cato-150x112.jpg 150w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_cato-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5593\" class=\"wp-caption-text\">Grupo Focolare reunido na Pra\u00e7a do Rel\u00f3gio (foto: Teresa Perosa)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Meio-dia, pra\u00e7a do rel\u00f3gio. Um grupo de estudantes se re\u00fane sob uma grande e frondosa \u00e1rvore, a frente do corredor da Colm\u00e9ia. O que fazem ali? O que todo grupo de estudantes faz: conversam sobre suas vidas. A diferen\u00e7a? A discuss\u00e3o ocorre a partir da leitura de textos b\u00edblicos ou relacionados \u00e0 religi\u00e3o. O grupo faz parte do movimento Focolare e \u00e9 uma das manifesta\u00e7\u00f5es religiosas ligadas ao catolicismo, al\u00e9m dos GOUs (grupos de ora\u00e7\u00e3o universit\u00e1rios), presentes na Cidade Universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O movimento dos Focolares (do italiano, fogo e lar) nasceu na It\u00e1lia, em 1943, a partir da iniciativa de Chiara Lubich. \u201cChiara queria criar algo que n\u00e3o pudesse ser destru\u00eddo por bombas e pelos horrores da guerra\u201d, diz Ang\u00e9lica Soratto, estudante de licenciatura de Ci\u00eancias Sociais (FFLCH) e uma das respons\u00e1veis pelo grupo. \u201cMais do que professar a f\u00e9, os Focolares buscam a unidade das pessoas atrav\u00e9s do di\u00e1logo\u201d, diz.<\/p>\n<p>O grupo \u00e9 bem diversificado. Alunos da gradua\u00e7\u00e3o e da p\u00f3s de diferentes unidades encontram no Focolare um espa\u00e7o para conversar sobre sua religiosidade e como ela se integra \u00e0 vida pr\u00e1tica. \u201cEstamos abertos para qualquer um que queria fazer parte. J\u00e1 tivemos protestantes e at\u00e9 ateus no grupo. O interessante \u00e9 o debate\u201d, diz F\u00e1bio de Oliveira, aluno de mestrado em Teoria Liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Sobre conciliar viv\u00eancia religiosa e viv\u00eancia acad\u00eamica, o grupo admite que isso nem sempre d\u00e1 de maneira tranq\u00fcila. \u201cConheci pessoas que tinham uma cren\u00e7a e, no entanto, sufocaram-na em fun\u00e7\u00e3o da entrada na universidade\u201d, declara F\u00e1bio. \u201cA maioria das pessoas respeita nossas cren\u00e7as, mas existem aqueles que acham que nossa f\u00e9 nos cega para assuntos acad\u00eamicos\u201d, diz. A suposta falta de neutralidade em fun\u00e7\u00e3o de sua f\u00e9 \u00e9 refutada pelos membros do Focolare. \u201cExiste esse mito da neutralidade na ci\u00eancia. Claro que temos que respeitar alguns par\u00e2metros, mas minha f\u00e9 n\u00e3o me impede de ser uma boa cientista\u201d, diz Ang\u00e9lica. \u201cMinha f\u00e9 imprescind\u00edvel para mim\u201d, diz Glauco dos Santos, estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o preciso me mutilar para entrar no ambiente acad\u00eamico\u201d. (T.P.)<\/p>\n<h4><a href=\"#indice\">retornar ao \u00edndice<\/a><\/h4>\n<hr \/>\n<p><a name=\"2\"><\/a><\/p>\n<h3>Juda\u00edsmo<\/h3>\n<figure id=\"attachment_5594\" aria-describedby=\"caption-attachment-5594\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5594\" title=\"L\u00edvia como judia ortodoxa sempre usa blusas que ultrapassam o cotovelo (foto: Carol Nehring)\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_juda.jpg\" alt=\"L\u00edvia como judia ortodoxa sempre usa blusas que ultrapassam o cotovelo (foto: Carol Nehring)\" width=\"240\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_juda.jpg 240w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_juda-100x150.jpg 100w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_juda-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5594\" class=\"wp-caption-text\">L\u00edvia como judia ortodoxa sempre usa blusas que ultrapassam o cotovelo (foto: Carol Nehring)<\/figcaption><\/figure>\n<p>L\u00edvia Soledade Moraes Rego. O nome n\u00e3o soa judeu, \u00e9 verdade, porque o sobrenome \u00e9 do pai, mas isso pouco importa, pois judeu \u00e9 aquele que nasceu de m\u00e3e judia e a m\u00e3e de L\u00edvia \u00e9 judia, assim como a av\u00f3. Mas elas n\u00e3o s\u00e3o religiosas, apenas L\u00edvia \u00e9 judia ortodoxa. A religi\u00e3o foi uma escolha. O processo de convers\u00e3o foi dos 18 aos 20 anos quando ela entrou para um projeto para judeus n\u00e3o religiosos. \u201cN\u00e3o se torna judeu ortodoxo do dia para a noite, as regras s\u00e3o muitas, \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o profunda de vida e de costumes\u201d, diz L\u00edvia.<\/p>\n<p>Ela se vestia como a maioria de n\u00f3s, agora sempre usa blusa que esconde os cotovelos, a saia fica al\u00e9m dos joelhos, uma meia cal\u00e7a cobre as pernas. A estudante conta que no come\u00e7o, sua fam\u00edlia n\u00e3o aceitou bem as mudan\u00e7as na vida dela. &#8220;Imagine dizer para a sua m\u00e3e que voc\u00ea n\u00e3o vai mais comer a comida dela&#8221;. Hoje em dia a av\u00f3 at\u00e9 vai ao mercado e traz as compras para o CRUSP, onde L\u00edvia mora. Faculdade \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o entre os judeus ortodoxos.<\/p>\n<p>Quando passa pelos corredores da Psico, tem que tomar cuidado para n\u00e3o relar em nenhum homem, o judaismo ortodoxo n\u00e3o aceita nenhum contato f\u00edsico entre mulheres e homens, nem mesmo cumprimentar os colegas de classe, que j\u00e1 se acostumaram e respeitam. Mas ela sabe que isso soa estranho numa sociedade como a brasileira em que s\u00e3o costumes os abra\u00e7os e beijinhos. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o pode namorar, um dia o rabino vai apresent\u00e1-la a outro judeu e eles poder\u00e3o se encontrar em lugares p\u00fablicos para conversar sem jamais se tocarem at\u00e9 o casamento.<\/p>\n<p>L\u00edvia \u00e9 a \u00fanica ortodoxa que participa dos encontros de judeus na Prainha (ECA). Tudo que ela come \u00e9 <em>kasher<\/em>, alimentos preparados conforme os preceitos judaicos. Al\u00e9m de porco, n\u00e3o come peixe sem escama, aves agressivas e n\u00e3o mistura leite e seus derivados com carne. As panelas ela guardo no quarto, pois cada uma \u00e9 para um tipo de alimento. Ela \u00e9 a \u00fanica ortodoxa no apartamento, &#8220;Ali\u00e1s, acho que sou a \u00fanica judia ortodoxa na USP inteira&#8221; &#8211; diz ela.<\/p>\n<p>Para L\u00edvia o Shabat \u00e9 sagrado, come\u00e7a antes do p\u00f4r do sol da sexta-feira e dura at\u00e9 o p\u00f4r-do-sol do s\u00e1bado. S\u00e3o 39 os trabalhos proibidos, n\u00e3o se pode criar nada, usar computador, microondas, TV, elevador, enfim, nenhum tipo de eletr\u00f4nico. Hoje ela j\u00e1 faz isso sem perceber, mas no come\u00e7o n\u00e3o foi f\u00e1cil mudar os h\u00e1bitos. \u201c\u00c9 uma vida de restri\u00e7\u00f5es, n\u00e3o esperamos que ningu\u00e9m fa\u00e7a isso tamb\u00e9m, cada um tem sua fun\u00e7\u00e3o e n\u00f3s somos escolhidos para viver conforme essas regras\u201d. (C.N.)<\/p>\n<h4><a href=\"#indice\">retornar ao \u00edndice<\/a><\/h4>\n<hr \/>\n<p><a name=\"3\"><\/a><\/p>\n<h3>Isl\u00e3<\/h3>\n<figure id=\"attachment_5595\" aria-describedby=\"caption-attachment-5595\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5595\" title=\"Alcor\u00e3o: o livro sagrado do Isl\u00e3 (foto: Carol Nehring)\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_isla.jpg\" alt=\"Alcor\u00e3o: o livro sagrado do Isl\u00e3 (foto: Carol Nehring)\" width=\"240\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_isla.jpg 240w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_isla-100x150.jpg 100w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_isla-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5595\" class=\"wp-caption-text\">Alcor\u00e3o: o livro sagrado do Isl\u00e3 (foto: Carol Nehring)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cAssalamu aa laicom\u201d, assim inicia a fala de Samira \u2013 \u201cQue a paz acompanhe voc\u00ea\u201d. Ela aceitou ser entrevistada depois de muita insist\u00eancia do JC. Samira Orra estuda Letras na USP, faz habilita\u00e7\u00e3o em \u00c1rabe e \u00e9 mu\u00e7ulmana. \u201cEu enfrento os preconceitos todos os dias com tol\u00earancia e abertura cultural aos outros, o problema n\u00e3o s\u00e3o as pessoas, s\u00e3o os discursos racistas que espalha a m\u00eddia do capitalismo financeiro\u201d.<\/p>\n<p>Samira \u00e9 descendente de imigrantes \u00e1rabes mu\u00e7ulmanos sunitas do L\u00edbano. Para ela, religi\u00e3o e ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e3o desvinculadas \u201dFilosoficamente, no Isl\u00e3 n\u00e3o se pode separar a Raz\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Tecnologia dos valores \u00e9ticos humanos. O Isl\u00e3, procura dar sentido \u00e0 vida, que cada vez vem tornando-se formas vazias de sentido por causa da economia do consumismo\u201d. Ela faz quest\u00e3o de deixar claro que n\u00e3o se pode reduzir a cultura \u00e1rabe a uma religi\u00e3o, j\u00e1 que existem\u00a0\u00e1rabes mu\u00e7ulmanos, crist\u00e3os e judeus, entre outras cren\u00e7as. \u201cSou mu\u00e7ulmana, mas n\u00e3o militante de movimento pol\u00edtico islamista\u201d. O isl\u00e3, para ela, \u201c\u00c9 uma procura de f\u00e9 numa utopia de justi\u00e7a e de liberdade junto \u00e0 responsabilidade social e respeito dos outros\u201d.<\/p>\n<p>Ela acha que a mulher deve ser livre para decidir se quer ou n\u00e3o usar o v\u00e9u, mas prefere se vestir de modo que n\u00e3o seja vulgar. \u201cA quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se cobrir ou n\u00e3o, mas o essencial \u00e9 que n\u00e3o saia como uma mulher oferecida\u201d e ressalta, \u201cNo meu caso e ao contr\u00e1rio das cren\u00e7as comuns, o v\u00e9u n\u00e3o significa necessariamente uma religiosidade fechada\u201d. Samira sonha em conhecer Meca e Jerusal\u00e9m. \u201cQuero, como mu\u00e7ulmana, exercer este ato de desapego da minha realidade individual e abrir-me ao mundo para navegar pela terra\u201d.<\/p>\n<h4><a href=\"#indice\">retornar ao \u00edndice<\/a><\/h4>\n<hr \/>\n<p><a name=\"4\"><\/a><\/p>\n<h3>Pentecostalismo<\/h3>\n<figure id=\"attachment_5596\" aria-describedby=\"caption-attachment-5596\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5596\" title=\"Kherolen na Prainha da ECA (foto: Heloisa Brenha)\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_pent.jpg\" alt=\"Kherolen na Prainha da ECA (foto: Heloisa Brenha)\" width=\"240\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_pent.jpg 240w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_pent-100x150.jpg 100w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_pent-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5596\" class=\"wp-caption-text\">Kherolen na Prainha da ECA (foto: Heloisa Brenha)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando Kherolen Dias soube que havia sido sorteada para cursar o ensino m\u00e9dio na Escola de Aplica\u00e7\u00e3o da USP, n\u00e3o teve d\u00favida que foi por a\u00e7\u00e3o de Deus. Por quest\u00f5es financeiras, ela n\u00e3o podia ir a um col\u00e9gio particular. Mesmo assim, Kherolen n\u00e3o se surpreendeu com o sorteio: \u201cMe disseram na Igreja que Deus ia cuidar de meus estudos\u201d, lembra a estudante de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da ECA.<\/p>\n<p>Conhecida como \u201cteologia da prosperidade\u201d, a convic\u00e7\u00e3o de Kherolen, de que Deus sempre atende \u00e0s necessidades e anseios de seus fi\u00e9is, \u00e9 comum a outros 24 milh\u00f5es de brasileiros. Kherolen \u00e9 evang\u00e9lica, da corrente pentecostal, a religi\u00e3o que mais cresce no pa\u00eds.<\/p>\n<h5>O culto ao Esp\u00edrito<\/h5>\n<p>A principal diferen\u00e7a entre os evang\u00e9licos pentecostais e os demais protestantes \u00e9 o culto aos poderes do Esp\u00edrito Santo. Eles creem que o Esp\u00edrito Santo continua se manifestando hoje como na passagem b\u00edblica de Pentecostes (a P\u00e1scoa judaica), em que ele desceu aos ap\u00f3stolos e realizou milagres.<\/p>\n<p>As primeiras Igrejas pentecostais do Brasil foram inauguradas nos anos 10 e seus fi\u00e9is eram chamados de \u201ccrentes\u201d por seguir r\u00edgidas normas de conduta, como a recusa ao sexo por prazer e o resguardo. A ideia \u00e9 que o crist\u00e3o deve se concentrar em Deus para impedir que o Diabo entre em sua vida.<\/p>\n<p>Mas foi a partir dos anos 50 que a f\u00e9 pentecostal passou de fato a crescer no pa\u00eds, quando incorporou costumes liberais e trouxe m\u00fasicas animadas, m\u00eddias de massa e mais flexibilidade quanto ao comportamento dos fi\u00e9is.<\/p>\n<h5>Fervor religioso<\/h5>\n<p>Segundo pesquisa da Pew Forum em 2006, 62% dos evang\u00e9licos brasileiros foram convertidos, 45% a partir do catolicismo. Kherolen faz parte dessa estat\u00edstica: se converteu aos 12 anos e hoje, como 86% do evang\u00e9licos, vai semanalmente \u00e0 sua Igreja: \u201cDeus n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 dentro da Igreja, mas o fato de ir ali mostra que voc\u00ea o est\u00e1 buscando, que querer estar  com as pessoas que tamb\u00e9m creem nele\u201d.<\/p>\n<h4><a href=\"#indice\">retornar ao \u00edndice<\/a><\/h4>\n<hr \/>\n<p><a name=\"5\"><\/a><\/p>\n<h3>Presbiterianismo<\/h3>\n<figure id=\"attachment_5597\" aria-describedby=\"caption-attachment-5597\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5597 \" title=\"Andr\u00e9 brinca que \u00e9: \u201cprotestante, calvinista e neoliberal\u201d (foto: Lu\u00edsa Costa)\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_pres.jpg\" alt=\"Andr\u00e9 brinca que \u00e9: \u201cprotestante, calvinista e neoliberal\u201d (foto: Heloisa Brenha)\" width=\"240\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_pres.jpg 240w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_pres-100x150.jpg 100w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_pres-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5597\" class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9 brinca que \u00e9: \u201cprotestante, calvinista e neoliberal\u201d (foto: Lu\u00edsa Costa)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na rep\u00fablica de Andr\u00e9 Eler, ao lado do P1, moram seis universit\u00e1rios do interior, incluindo ele, que veio de Governador Valadares cursar Jornalismo na ECA. Tudo muito comum n\u00e3o fosse a fachada da casa: eles moram na Igreja Presbiteriana do Butant\u00e3, onde n\u00e3o t\u00eam despesas com aluguel, luz ou \u00e1gua.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 brinca a s\u00e9rio que \u00e9 \u201cprotestante, calvinista e neoliberal\u201d. Mesmo com a f\u00e9 sendo \u201cum dos pilares da minha vida\u201d, n\u00e3o acha que vive t\u00e3o diferente dos outros jovens: \u00e9 mais reservado, \u201cmas nem tanto por minha religi\u00e3o, mais pela forma como meus pais me criaram\u201d, diz.<\/p>\n<h5>Correntes de protesto<\/h5>\n<p>O lado paterno da fam\u00edlia de Andr\u00e9 era luterano: emigraram da Alemanha no s\u00e9culo XIX e, no Brasil, tornaram-se presbiterianos. As correntes protestantes \u2013 como o anglicanismo e o presbiterianismo \u2013 s\u00e3o quase todas nascidas do confronto entre o te\u00f3logo alem\u00e3o Martinho Lutero e a Igreja Cat\u00f3lica, em 1517. Lutero se rebelou contra o que considerava \u201cabusos eclesi\u00e1sticos\u201d, como os impostos e a venda de indulg\u00eancias (vagas no Para\u00edso). O alem\u00e3o fundou uma nova Igreja, em que a salva\u00e7\u00e3o do homem estava s\u00f3 em sua f\u00e9 e na gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>Outros aprofundaram as reformas de Lutero, como o franc\u00eas Jo\u00e3o Calvino, que criou o puritanismo, doutrina que unia regras r\u00edgidas de conduta \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho. De Calvino, surgiu a Igreja Presbiteriana, governada por pastores e leigos, que influenciou muito a forma\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n<h5>Crist\u00e3o neoliberal<\/h5>\n<p>No livro \u201cA \u00c9tica Protestante e o Esp\u00edrito do Capitalismo\u201d, o soci\u00f3logo alem\u00e3o Max Weber atribui o sucesso do capitalismo em pa\u00edses protestantes ao pensamento calvinista, para o qual o trabalho \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o divina e a acumula\u00e7\u00e3o de bens, o lucro e o empr\u00e9stimo a juros n\u00e3o s\u00e3o pecado. Para Andr\u00e9, seja protestante capitalista, seja qualquer outro crist\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 pecado ser neoliberal, mas \u201cficar passivo diante das mazelas sociais\u201d.<\/p>\n<h4><a href=\"#indice\">retornar ao \u00edndice<\/a><\/h4>\n<hr \/>\n<p><a name=\"6\"><\/a><\/p>\n<h3>Espiritismo<\/h3>\n<figure id=\"attachment_5598\" aria-describedby=\"caption-attachment-5598\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5598 \" title=\"Bruna Buzzo, que aprendeu o espiritismo por sua m\u00e3e (foto: Julia Carvalho)\" src=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_espi.jpg\" alt=\"Bruna Buzzo, que aprendeu o espiritismo por sua m\u00e3e (foto: Heloisa Brenha)\" width=\"240\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_espi.jpg 240w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_espi-100x150.jpg 100w, https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/359_fe_espi-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5598\" class=\"wp-caption-text\">Bruna Buzzo, que aprendeu o espiritismo por sua m\u00e3e (foto: Julia Carvalho)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cExistiria o mundo se fosse uma vez s\u00f3, a pessoas vem pra c\u00e1, passa 60, 70 anos, a\u00ed morre e \u00e9 isso, acabou?\u201d. O mesmo inconformismo no tom de voz da estudante de Jornalismo da ECA Bruna Buzzo deve ter passado pela cabe\u00e7a muitos curiosos pelo espiritismo. Hoje, o Brasil \u00e9 o maior pa\u00eds esp\u00edrita do mundo: s\u00e3o cerca de 5,5 milh\u00f5es de adeptos da religi\u00e3o que v\u00ea a morte apenas como uma etapa da evolu\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>Apesar do pai ateu, Bruna teve uma forma\u00e7\u00e3o esp\u00edrita devido \u00e0 sua m\u00e3e, uma ex-cat\u00f3lica. Ainda que discorde de algumas cren\u00e7as do espiritismo, como a da exist\u00eancia de vidas em outros planetas, ela diz que: \u201cNa verdade, eu n\u00e3o renego tudo. Tenho muitas d\u00favidas, mas acredito que exista um Deus e, se eu assumo que ele existe, acho que as teorias do espiritismo fazem mais sentido do que as cat\u00f3licas\u201d.<\/p>\n<p>Esse \u201csentido\u201d era essencial para o franc\u00eas Allan Kardec, que criou o espiritismo no s\u00e9culo XIX a partir de doutrinas religiosas, cient\u00edficas e filos\u00f3ficas como o Catolicismo primitivo (caridade), o Budismo (reencarna\u00e7\u00f5es) e o Darwinismo (evolucionismo). Segundo a f\u00e9 esp\u00edrita, todo homem \u00e9 um m\u00e9dium, um canal de comunica\u00e7\u00e3o entre vivos e esp\u00edritos. Assim, n\u00e3o existe hierarquia: Cristo seria apenas um esp\u00edrito mais evolu\u00eddo. Isso se reflete tamb\u00e9m na organiza\u00e7\u00e3o dos centros esp\u00edritas, onde, segundo Bruna, os \u201ctrabalhadores\u201d s\u00e3o fi\u00e9is volunt\u00e1rios que fazem palestras e d\u00e3o \u201cpasse\u201d, esp\u00e9cie de tratamento espiritual.<\/p>\n<p>No espiritismo, Bem e Mal dependem do livre-arb\u00edtrio de cada um, mas todos responder\u00e3o por suas escolhas na pr\u00f3xima vida. Bruna, que frequentava palestras sobre temas de cidadania no seu centro, diz que os trabalhadores previnem os fi\u00e9is sobre os excessos e suas conseq\u00fc\u00eancias espirituais: \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma proibi\u00e7\u00e3o, mas um combate aos v\u00edcios, como cigarro, \u00e1lcool\u201d, que poderiam levar a uma reencarna\u00e7\u00e3o infeliz. Os esp\u00edritas almejam que seu esp\u00edrito atravesse as encarna\u00e7\u00f5es rumo \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, sempre melhores e mais caridosos.<\/p>\n<h4><a href=\"#indice\">retornar ao \u00edndice<\/a><\/h4>\n<hr \/>\n<p><a name=\"7\"><\/a><\/p>\n<h3>Ate\u00edsmo<\/h3>\n<p>\u201cCara, foi meio do nada\u201d, \u00e9 o que diz Ricardo Azarite, estudante do 3\u00ba ano de Jornalismo, sobre quando e como se tornou ateu. Ricardo nasceu em uma fam\u00edlia cat\u00f3lica n\u00e3o-praticante, foi batizado e, ap\u00f3s a morte de seu av\u00f4, quando estava na quarta s\u00e9rie, voltou-se para a religi\u00e3o de maneira fervorosa. \u201cPassei dois anos com muito medo e orando sempre\u201d.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que o contato com um colega c\u00e9tico, na sexta s\u00e9rie, mudou sua percep\u00e7\u00e3o de mundo. \u201cFoi meio louco. Conversando com ele acabei me descobrindo ateu. Acho que arranjei outras bengalas que n\u00e3o a f\u00e9 e por isso deixei-a de lado\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o a sua cren\u00e7a e a conviv\u00eancia com os outros, Ricardo diz que n\u00e3o enfrenta grandes problemas. \u201cN\u00e3o fa\u00e7o do ate\u00edsmo uma bandeira. Sou muito contra ser evangelizado, ent\u00e3o n\u00e3o \u2018evangelizo\u2019 os outros\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo ele, sua \u201cf\u00e9\u201d tamb\u00e9m n\u00e3o tem grandes reflexos em sua vida universit\u00e1ria. \u201cAlgumas pessoas olham torto. J\u00e1 at\u00e9 ouvi pessoas falando que eu n\u00e3o tinha cara de ateu!\u201d, diz. \u201cMas, em geral, as pessoas respeitam\u201d. As maiores dificuldades vieram quando come\u00e7ou sua inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, sobre Comunica\u00e7\u00e3o e Religi\u00e3o. \u201cL\u00e1 eu convivo com agn\u00f3stico, protestante, etc. \u00c0s vezes ocorrem atritos e discuss\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Sobre porque se tornou ateu, Ricardo \u00e9 sucinto. \u201cN\u00e3o sinto Deus. N\u00e3o acho que orar vai melhorar minha vida. Ent\u00e3o, n\u00e3o o fa\u00e7o\u201d, conclui.<\/p>\n<h4><a href=\"#indice\">retornar ao \u00edndice<\/a><\/h4>\n<hr \/>\n<p><em><strong>Errata<\/strong><br \/>\nDiferentemente do informado na edi\u00e7\u00e3o impressa do JC, a cidade de origem do estudante Andr\u00e9 Eler \u00e9 Governador Valadares, e n\u00e3o Volta Redonda. A corre\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi feita na edi\u00e7\u00e3o online.<br \/>\nParte dos textos apresenta diferen\u00e7as de edi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao jornal impresso.<\/em><br \/>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudantes falam sobre a import\u00e2ncia da religi\u00e3o em suas vidas e sobre viv\u00eancias religiosas na Universidade\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/2009\/10\/como-voce-pratica-a-sua-fe\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":100,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3149,731],"tags":[293],"class_list":["post-5580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-ed359","tag-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/100"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5580"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6698,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5580\/revisions\/6698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaldocampus.usp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}